Agências das Nações Unidas querem mais ação para combater praga de gafanhotos
BR

26 fevereiro 2020

Em comunicado conjuntos, chefes da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, do Programa Mundial de Alimentos, PMA, e do Escritório de Assistência Humanitária disseram que a hora de pagar é agora para evitar uma conta mais cara depois.

Três líderes humanitários das Nações Unidas lançaram um apelo à comunidade internacional para combater as enormes nuvens de gafanhotos no leste da África.

Em comunicado, o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, o subsecretário-geral de assistência humanitária, Mark Lowcock, e o diretor-executivo do PMA, David Beasley, afirmaram que a hora de agir contra a praga é agora.

Um dos fatores que facilitam a praga de gafanhotos é a chuva que impulsiona a reprodução dos insetos.
Um dos fatores que facilitam a praga de gafanhotos é a chuva que impulsiona a reprodução dos insetos. Foto: FAO/Peterik Wiggers

Conflitos e clima

O leste da África afetado por inúmeros conflitos e choques climáticos é uma região de insegurança alimentar há várias décadas. Milhões de pessoas sofrem com o problema, que foi agravado com o aparecimento de nuvens de gafanhotos do deserto.

No mês passado, a FAO pediu US$ 76 milhões para combater a crise, mas a resposta internacional tem sido lenta.

Os três chefes humanitários disseram que o flagelo tem proporções bíblicas, mas que a escala atual não tem precedente em tempos modernos.

Desde o apelo, quando as nuvens haviam chegado a três países, a praga de gafanhotos se espalhou para Eritreia, Sudão do Sul, Uganda, Tanzânia e Djibuti.

Na semana passada, partes do Sudão do Sul foram infestadas pela praga, e nesta semana, nuvens de gafanhotos entraram na República Democrática do Congo pela fronteira leste. O país não registrava invasão desses insetos desde 1944.

Cerca de 35 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda em cinco países
FAO
Cerca de 35 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda em cinco países

Sarampo e ebola

A notícia preocupa as agências da ONU, uma vez que os congoleses ainda estão enfrentando as consequências de epidemias de sarampo e ebola.

A ONU informou que será necessário agora quase o dobro da quantia inicial. O apelo subiu para US$ 138 milhões para assistir os governos com a resposta de emergência para os próximos quatro meses.

Os gafanhotos têm um ciclo reprodutivo de três meses. As nuvens maduras estão colocando ovos em vastas áreas da Etiópia, do Quênia e da Somália.

Gafanhotos podem afetar a segurança alimentar de milhões de pessoas.
Foto: FAO/Yasuyoshi Chiba
Gafanhotos podem afetar a segurança alimentar de milhões de pessoas.

Plantações

Numa questão de poucas semanas, a nova geração de insetos irá passar do estágio juvenil adquirindo capacidade para mais destruição em bando.

O momento é inoportuno, uma vez que as plantações dos agricultores começam a crescer e correm risco de serem devastadas pelas nuvens vindouras.

As agências da ONU acreditam que ainda dá tempo de salvar a situação com ação imediata em vez de ter que responder depois do desastre.

Na segunda-feira, a Fundação Bill e Melinda Gates informou que doará US$ 10 milhões para os governos da Etiópia, do Quênia e da Somália. A maior preocupação é com a produção de alimentos e a subsistência dos agricultores na região.

Nuvens

A invasão de gafanhotos na Etiópia e na Somália é a pior dos últimos 25 anos e a e mais séria enfrentada pelo Quênia há sete décadas.

Até o momento, o apelo da ONU já arrecadou US$ 33 milhões dos doadores. Mas o PMA estima que o custo de resposta deve ser 15 vezes maior que o custo da prevenção.

A praga do gafanhoto do deserto é a mais destrutiva do mundo, as nuvens de 1km² podem consumir a mesma quantidade de comida que 35 mil pessoas consumiriam em apenas um dia.

Segundo as três agências, a comunidade internacional precisa pagar agora para evitar uma conta mais cara depois.

 

 

 

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