Piora da praga de gafanhotos levará ONU a pedir mais fundos para apoiar milhões de afetados
BR

10 fevereiro 2020

Um terço dos 30 milhões de vítimas de insegurança alimentar pode ver situação agravar no extremo leste da África; nuvem com 200 bilhões de insetos pode consumir mesma quantidade de alimentos que 84 milhões de pessoas em um dia no Quênia.

As Nações Unidas informaram esta segunda-feira que devem precisar fazer um apelo por mais fundos para oferecer apoio imediato aos países afetados pela pior praga de gafanhotos em mais de 25 anos na África.

Em 30 de janeiro, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, pediu US$ 70 milhões para mobilizar ajuda urgente. Esse valor foi atualizado para US$ 76 milhões para cobrir as necessidades crescentes no Djibuti e na Eritreia.

FAO quer aumentar as operações intensivas de controle dos gafanhotos do deserto. Foto: FAO/Carl de Souza

Nuvem

Falando em Nova Iorque, o subsecretário-geral para Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, anunciou que uma nuvem de até 2,4 mil km2 foi observada no nordeste do Quênia. Estima-se que os cerca de 200 bilhões de insetos observados possam comer o suficiente para alimentar 84 milhões de pessoas em um dia.

Uma nuvem de gafanhotos do deserto de 1 km2 pode se movimentar por até 150 km e consumir a mesma quantidade de alimentos que cerca de 35 mil pessoas diariamente.

Com o apelo da FAO, a meta é apoiar 13 milhões de beneficiários na Etiópia, na Somália, no Quênia, em Djibuti e na Eritreia. Mas o avanço da praga coloca outras cerca de 6 milhões de vítimas em grande risco de passar fome no Sudão do Sul e no Uganda.

Mark Lowcock disse que os países afetados com a situação já estão sobrecarregados, apesar de fazerem o que podem para o fim desta praga.

Foto: FAO/Yasuyoshi Chiba
Gafanhotos podem afetar a segurança alimentar de milhões de pessoas.

Grande Surto

O também coordenador para os Assuntos de Emergência destacou que a atual praga de gafanhotos afeta um terço dos 30 milhões de pessoas que neste momento enfrentam insegurança alimentar na Etiópia, no Quênia e na Somália.

De acordo com a organização, o último grande surto de gafanhotos do deserto na África Ocidental ocorreu entre 2003 e 2005. Nesse período, várias famílias afetadas perderam entre 80 a 100% das colheitas de cereais. Os insetos devoraram até 90% de leguminosas e entre um terço e 85% das pastagens.

FAO/Peterik Wiggers
Um dos fatores que facilitam a praga de gafanhotos é a chuva que impulsiona a reprodução dos insetos.

Ciclones

Um dos fatores que facilitam a praga de gafanhotos é a chuva que impulsiona a reprodução dos insetos. O aumento na frequência de ciclones nos últimos três anos também favorece a multiplicação devido à queda de fortes chuvas no Oceano Índico.

A ONU alerta que a multiplicação de pragas será um dos impactos menos visíveis da mudança climática. Se essa tendência continuar prevê-se que a região do extremo leste da África enfrente mais pragas de gafanhotos no futuro.

 

 

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