Bachelet horrorizada com escalada da crise humanitária no noroeste da Síria
BR

18 fevereiro 2020

Alta comissária de direitos humanos da ONU descreveu situação de mulheres e crianças sendo bombardeadas no rigoroso inverno sírio como uma “crueldade inacreditável”; desde 1º de janeiro, 299 civis foram assassinados em Idlib e Alepo, 93% dessas mortes são atribuídas ao governo sírio e seus aliados.

 

As Nações Unidas classificaram a situação dos civis sob fogo cruzado no noroeste da Síria como uma “crueldade inacreditável”.

Em comunicado, a alta comissária de direitos humanos da organização, Michelle Bachelet, mostrou-se horrorizada com a escala da crise humanitária em cidades como Alepo e Idlib.

Uma criança caminha na neve em um assentamento informal que continua recebendo famílias recém-deslocadas do sul de Idlib e das províncias rurais de Alepo, no noroeste da Síria. Foto: © Unicef/Baker Kasem

Plástico

Bachelet contou que os moradores, a maioria mulheres e crianças, tentam se proteger do rigoroso inverno sírio e dos bombardeios em abrigos improvisados com folhas de plástico.

Famílias inteiras fogem de uma área para a outra do país desde o início do conflito em 2011.

A alta comissária afirmou que não existe “justificativa possível” para os ataques “desumanos e indiscriminados” e que já traumatizaram toda uma população.

Os civis que tentam fugir dos combates são aquartelados em áreas sem abrigo seguro, e cada vez mais escassos. Ali, eles também são alvos dos bombardeios. Bachelet contou que não existe mais aonde ir.

Ela disse que todas as partes na Síria, estatais ou não devem cessar, imediatamente, a violência assegurando a proteção dos civis.

Aliados

Desde janeiro, 299 sírios foram mortos na ofensiva às áreas chaves de Idlib e Alepo. E 93% dessas mortes ocorreram pelas mãos do governo e de seus aliados.

A violência também atingiu 10 postos médicos e 19 estabelecimentos de ensino, que foram alvos diretos dos ataques.

O Escritório de Direitos Humanos também documentou vários ataques em acampamentos de deslocados pela violência. Michelle Bachelet acredita que mais pessoas possam morrer com a continuação da ofensiva.

Para escapar dos bombardeios, muitos sírios decidiram tomar a estrada a pé embaixo de temperaturas negativas.

© Unicef/Forat Abdoullah
Famílias inteiras fogem de uma área para a outra do país desde o início do conflito em 2011.

Assistência

A alta comissária pediu ao governo sírio e aos aliados do regime do presidente Bashar al-Assad que abra corredores humanitários permitindo a passagem segura dos civis.  Ela pediu ainda acesso, assistência e proteção para todas as partes.

Bachelet contou que o desrespeito pela vida e pela proteção dos civis infringe a lei humanitária internacional e os direitos humanos.

Ela afirmou que está alarmada com a falha da diplomacia que deveria colocar a proteção das pessoas à frente de qualquer vitória política ou militar.

Em comunicado separado, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, afirmou que mais de 500 mil crianças no noroeste da Síria estão sendo forçadas a fugir, somente desde dezembro do ano passado.

Foto: ONU News/Daniel Johnson
Bachelet contou que os moradores, a maioria mulheres e crianças, tentam se proteger do rigoroso inverno sírio e dos bombardeios em abrigos improvisados com folhas de plástico.

Três dias a pé

Desde o início do ano, 77 menores foram assassinados ou feridos.

Uma das sobreviventes contou ao Unicef que teve que andar três dias a pé na chuva e no frio para fugir dos bombardeios.

A diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, afirmou que a “carnificina” que se vê no noroeste da Síria está cobrando um preço horrível das crianças e que é hora de os combates terminarem de uma vez por todas.

 

 

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