Moçambique: FAO diz que ciclone Idai aumenta necessidade de recursos para populações

16 março 2019

Representante da agência afirma que tempestade vai alterar projeção das necessidades da agência; estimativas para ações de apoio entre janeiro e março eram de US$ 11 milhões para assistir 500 mil pessoas. * 

Em alerta com vista a minimizar as consequências do ciclone Idai nas populações, esta é a situação do Escritório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, em Moçambique.

A ONU News em Maputo registou a preocupação do representante da agência, Olman Serrano, na sequência da tempestade. Ele lembrou que além das inundações no centro, o país enfrenta a crise da seca  no sul.

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As inundações estão a destruir muitos terrenos agrícolas, temos que saber quantos hectares estão destruídos, quais são as necessidades, em termos de pessoas e insumos agrícolas.

Problemas

“O ciclone Idai, infelizmente, vai trazer muitos danos à população. Então, no mesmo país, no mesmo período, temos por um lado as perdas por causa das inundações, perdas da parte agrícola, mas também perdas pessoais e de infraestruturas e uma agricultura que não é resiliente, tem problemas a resistir à seca.”

“As inundações estão a destruir muitos terrenos agrícolas, temos que saber quantos hectares estão destruídos, quais são as necessidades, em termos de pessoas e insumos agrícolas, as prioridades para sementes de culturas de crescimento rápido, por exemplo, a criação de galinhas que em 30 dias tem o produto final, isto é muito importante para ajudar os camponeses a superar esta situação.”O desastre natural afeta a região centro do país, nomeadamente as províncias de Sofala e Manica.

Perante esta situação, a FAO já desenhou um plano de resposta humanitária para as famílias vulneráveis.

Consequências

FAO/Paballo Thekiso
FAO em Moçambique diz estar em situação de alerta.

Segundo informações do  Escritório da ONU de Assistência Humanitária, Ocha,  a cidade de Beira, na província de Sofala, no centro de Moçambique, perdeu a comunicação. Ainda não se sabe o impacto total do ciclone, mas relatos iniciais indicam a perda de vidas e danos significativos na infra-estrutura na  Beira e nas regiões próximas.

Agências de notícias locais indicam que pelo menos 21 pessoas tenham morrido e mais de 70 tenham ficado feridas.  O Ocha informa também  que um grupo de avaliação que trabalha no local relatou um número considerável de casas destruídas, imóveis sem teto e árvores caídas. Os armazéns do Programa Mundial de Alimentação, PMA, também foram danificados durante o ciclone e o aeroporto da Beira foi temporariamente fechado.

A FAO em Moçambique diz estar em situação de alerta com vista a minimizar as consequências resultantes do ciclone Idai.

“Dois milhões de pessoas têm necessidade, porque vão sofrer de insegurança alimentar e da má nutrição. Por outro lado, temos pessoas que vão sofrer de El Niño, temos 90% de possibilidade em Moçambique. Vai afetar não somente a população diretamente mas também o gado. Com a análise que fizemos vamos ter problemas com 1,5 milhão de cabeças de gado que estão em risco de morrer devido às grandes inundações, mas também por causa da seca que estamos a enfrentar no sul do país”

De acordo com o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, Ingc, no setor de agricultura a depressão tropical, as chuvas, os ventos fortes afetaram cerca de 103.285 produtores e uma área de 164.883 hectares com culturas diversas.

As prioridades estão quase em todo país.

As perdas são mais acentuadas para as culturas dos grãos como o milho, a mapira, a mexoeira, os feijões e o amendoim. A área afetada pelo mau tempo representa cerca de 2,8% do total atualmente semeado.

Chuvas

“Neste momento, o orçamento necessário para ajudar a mais ou menos 500 mil pessoas que têm necessidades está orçado em US$ 11 milhões para poder mobilizar os insumos, o pessoal e dar um apoio direto as populações. As prioridades estão quase em todo país. Porém, neste momento de grandes inundações, não podemos esquecer as secas que estão a afetar a parte sul do país.”

Nas próximas duas semanas, a previsão é de chuvas fortes em várias regiões do país, com maior destaque para as províncias centrais de Sofala, Zambézia e Manica. A precipitação estará entre 200 e 300 milímetros devido à passagem do ciclone tropical Idai.

Na região austral do continente africano também são esperadas chuvas moderadas a fortes, no Maláui e na Zâmbia.

Moçambique é propenso a desastres naturais devido à sua localização geográfica.

 

*De Maputo para ONU News, Ouri Pota

 

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