Ciclone em Moçambique: “Isto exige de nós uma logística muito grande”

15 março 2019

Ministra comenta sobre impacto social, efeitos do mau tempo e assistência a mulheres e crianças; representante disse à ONU News que autoridades incentivam atos de solidariedade em prol das vítimas.

A ministra do Género, Criança e Ação Social de Moçambique disse que a prestação de ajuda às vítimas do mau tempo é um desafio, quando o país responde aos efeitos da tempestade que causou pelo menos 66 mortos e 111 feridos. Mais de 600 mil pessoas ficaram afetadas com a chegada do ciclone Idai, na quinta-feira.

Cidália Chaúque falou à ONU News, em Nova Iorque, sobre como a sua área de tutela lida com o impacto de desastres. O tema proteção social, serviços públicos e infraestrutura marca a 63ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW63.

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Cidália Chaúque, Ministra do Género Criança e Ação Social de Moçambique. Foto: ONU News

Vulnerabilidade

Há um movimento de solidariedade para acolhimento de pessoas, questões de saúde no sentido de reduzir índices de doenças que advém destas situações.

A ministra explicou que o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, Ingc, tem atuado desde o início do mau tempo e acompanha o percurso do ciclone tropical Idai.

“As calamidades naturais trazem consigo constrangimentos para as famílias, para as comunidades, trazem situações desastrosas, onde nós encontramos a destruição de casas, encontramos famílias sem abrigos e até sem condições para poderem alimentar-se. Naturalmente, são as crianças que ficam em situação de vulnerabilidade, são as crianças que vão perder o ciclo escolar e isto exige de nós uma logística muito grande.”

Mais de 141 mil pessoas já foram afetadas pelo mau tempo no centro e norte, nas províncias de Manica, Sofala, e sul de Tete. As autoridades moçambicanas emitiram um alerta vermelho sobre o ciclone tropical Idai e prestam assistência humanitária às vítimas.

Sensibilização

Cidália Chaúque disse que a prestação de ajuda requer um despertar de atos solidários.

“Já estamos a trabalhar no sentido da solidariedade. O nosso país é solidário. Há um movimento de solidariedade para acolhimento de pessoas, questões de saúde no sentido de reduzir índices de doenças que advém destas situações. Há muito trabalho de sensibilização que está a ser feito. Esperamos que este ciclone não traga maiores números de danos e perdas humanas, acima de tudo.”

As autoridades criaram 10 centros de trânsito nas províncias da Zambézia e Tete. No total, mais de 168 mil hectares de culturas foram afetados pela situação, que levanta a questão da falta de provisões para os afetados.

Foto: Ouri Pota.
Participantes em capacitação para uso de drones melhorar auxílio de emergência em Moçambique.

O principal, neste momento, é a condição de saúde e a alimentação para elas poderem sobreviver a estas situações.

Sobreviver

“São crianças que ficam desamparadas. São famílias que ficam desamparadas. São mulheres e homens que ficam desamparados, a partir do momento em que perdem o seu abrigo e precisam de uma assistência. O governo tem que dar assistência a estas pessoas. Tem que criar condições mínimas para dar estabilidade e tem que encontrar alimentação para elas. O principal, neste momento, é a condição de saúde e a alimentação para elas puderem sobrevier a estas situações.”

A outra preocupação da ministra é a superação dos efeitos a longo prazo causadas pelas inundações e pelo ciclone.

“É preciso criar condições para o período chuvoso. Precisamos de condições para que elas possam aguentar com esta situação. Tudo isto traz tristeza, mas é preciso encontrar espaço para que elas superem automaticamente e, acima de tudo. Mas tem que se encontrar acolhimento para as crianças. O que nós temos estado a fazer é a sensibilização para que se retirem dos locais perigosos. E, logo a seguir, encontra-se imediatamente espaço para a recuperação imediata destas famílias. A recuperação imediata é muito importante.”

O Escritório das Nações Unidas em Moçambique coordena a resposta de organizações e agências internacionais, e mobiliza a ajuda liderada pelo governo para várias áreas afetadas pelo mau tempo no país.

ONU Moçambique
ONU Moçambique fornece ajuda humanitária para as dezenas de milhares de pessoas deslocadas no país pelo ciclone tropical Idai

 

 

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