Mais de 3 milhões de refugiados atingidos por cortes de rações na África Oriental 
BR

2 março 2021

Agências da ONU pedem recursos para evitar suspensão de até 60% em ajuda; sem financiamento, milhares de refugiados, incluindo crianças, não terão o suficiente para comer.  

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e o Programa Mundial de Alimentos, PMA, estão pedindo US$ 266 milhões para socorrer mais de 3 milhões de refugiados na África Oriental. Eles foram afetados pelo corte de rações de alimentos devido à falta de fundos financeiros. 

Os cortes chegaram até 60% em vários países. As agências alertaram para riscos como aumento da desnutrição e anemia, atraso no crescimento de crianças e riscos de proteção. 

Financiamento 

O impacto é agravado por medidas contra a Covid-19 como o confinamento social. A crise tirou os alimentos das prateleiras e destruiu as esperanças de muitos refugiados de sustentar suas famílias com trabalho eventual e pequenos negócios. 

Acnur/Samuel Otieno
Refugiada de 23 anos, do Burundi, em sua nova casa no Quênia

Em comunicado, a diretora do Escritório Regional do Acnur para o Leste, Sudeste da África e Grandes Lagos, Clementine Nkweta-Salami, disse que “a pandemia foi arrasadora para todos, mas para os refugiados ainda mais.” 

Segundo Nkweta-Salami, “se mais fundos não forem disponibilizados, milhares de refugiados, incluindo crianças, não terão o suficiente para comer.” 

Ela contou que as famílias estão reduzindo refeições, fazendo empréstimos com juros altos, vendendo bens, recorrendo a trabalho infantil e sendo vítimas de violência doméstica. 

Segundo a diretora do Acnur, “muitas vezes existe um desespero e um sentimento de falta de alternativa.” 

Necessidades 

Já o diretor regional do PMA para a África Oriental, Michael Dunford, informou que “a prioridade imediata para todos deve ser restaurar a assistência aos níveis mínimos.” 

Segundo ele, a agência nunca teve “uma situação de financiamento tão terrível para refugiados.” Faltam US$ 266 milhões nos próximos seis meses para as necessidades mínimas. 

Dunford explicou que, se os cortes continuarem, “os refugiados enfrentarão uma decisão muito difícil: permanecer nos campos onde a segurança alimentar e nutricional está se deteriorando ou considerar o risco de voltar quando não é seguro.” 

Cortes 

Nos 11 países cobertos pelo Escritório do Acnur para esta região, 72% dos 4,7 milhões de refugiados enfrentam cortes de alimentos, além de déficits de financiamento para assistência e apoio não alimentar. 

A falta de financiamento forçou o PMA a reduzir sua assistência mensal em até 60% em Ruanda, 40% em Uganda e Quênia, 30% no Sudão do Sul, 23% em Djibouti e 16% na Etiópia. 

Acnur/Sanne Biesmans
Covid-19 agravou situação para refugiados, como neste assentamento em Kivu Sul, na República Democrática do Congo

Quase 140 mil refugiados e requerentes de asilo vivem em Ruanda, principalmente da República Democrática do Congo e do Burundi. O PMA apoia 138 mil pessoas vivendo em assentamentos e 12,5 mil crianças da comunidade de acolhimento.  Segundo a agência, “o corte de 60% não tem precedentes.” 

Trabalho 

No Quênia, o PMA já reduziu as rações para 417 mil refugiados em 40%. São necessários US$ 61 milhões para prestar essa ajuda entre março e agosto. Na Tanzânia, as rações para 280 mil pessoas já tiveram um corte de 32% e são precisos US$ 17 milhões para o mesmo período. 

No Uganda, que acolhe a maior população de refugiados da África, a assistência para 1,27 milhão de pessoas teve um corte de 40%. São necessários US$ 77 milhões para repor essa ajuda. 

Já no Sudão do Sul, Etiópia e Djibouti, o PMA precisa de US$ 82 milhões para ajudar quase 1 milhão de refugiados. 

Apenas no Burundi e no Sudão estão sendo distribuídas rações completas. Até agosto, são precisos US$ 18 milhões para continuar esse trabalho.  

 

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