Ajuda alimentar da ONU protege refugiados na Líbia durante pandemia 
BR

14 agosto 2020

Custo de uma cesta básica para uma família aumentou em média 26,6% desde a declaração das restrições em março; agências querem fornecer ajuda alimentar de emergência para até 10 mil refugiados até o final deste ano.

O aumento dos preços dos alimentos e a falta de trabalho devido às restrições da Covid-19 afeta a segurança alimentar dos refugiados na Líbia. 

Nos últimos meses, a Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, e o Programa Mundial de Alimentos, PMA, alargaram a resposta para evitar a fome. 

Mulheres e crianças em centro de detenção para migrantes em Tripoli, na Líbia, Unicef/Alessio Romenzi

Família

Um dos exemplos é de Abdulmajeed e sua esposa, Halima, que deixaram a região sudanesa de Darfur para viver em Trípoli. Eles contaram ao Acnur que estão preocupados com sua filha recém-nascida.

Afnan nasceu em abril, quando as restrições já estavam acontecendo. Devido ao recolher obrigatório, e porque não podiam pagar um táxi, o parto foi feito em casa.

Halima diz que “a vida na Líbia é muito difícil para os refugiados.” Desde o surto da Covid-19, ficou ainda mais dura. Abdulmajeed não consegue encontrar trabalho. Ele costumava descarregar frutas e vegetais em um mercado próximo, ganhando entre 40-50 dinares líbios por dia, cerca de US$ 10. O valor chega para sobreviver.

Agora, ele diz que o coronavírus “mudou tudo, não há mais trabalho.” Ele acrescentou que não tem conseguido pagar o aluguel e, às vezes, nem comprar comida. 

Muitas vezes, não consegue dormir à noite, pensando quando a crise de saúde irá terminar, para que possa voltar ao trabalho. 

Projeto

Recentemente, a família foi uma das primeiras a receber ajuda em um projeto conjunto do Acnur e do PMA. Até o final deste ano, as agências querem fornecer ajuda alimentar de emergência para até 10 mil refugiados.

Conflito também agrava situação de insegurança alimentar, Ocha/Giles Clarke

O programa foi criado em resposta à situação que os já refugiados e requerentes de asilo enfrentam devido à pandemia. A maioria dessas pessoas vive em áreas urbanas, dependendo do trabalho diário para se sustentar. Mas a maior parte desse trabalho parou nos últimos meses.

Além disso, o preço dos alimentos e outros bens básicos aumentou dramaticamente devido ao fechamento de fronteiras, restrições de importação e interrupção do movimento de suprimentos de alimentos causadas pelo conflito.

O custo de uma cesta básica para uma família aumentou em média 26,6% desde a imposição das restrições em março. Muitos refugiados dizem que só conseguem comer uma refeição básica por dia, com frutas, vegetais e carne sendo considerados luxo.

Esperança

Antes de receber a assistência, Halima disse que muitas vezes se sentia tonta e cansada. Sua principal preocupação agora é pagar o aluguel. 

Todos os dias, Abdulmajeed veste uma camisa e um boné de beisebol e sai em busca de trabalho. Quando falou ao Acnur, há mais de uma semana que não conseguia um trabalho pago.

Segundo a agência, a má notícia é que os casos de Covid-19 ainda estão aumentando no país. Recentemente, as autoridades relataram o maior aumento diário, por isso o recolher obrigatório não deverá ser cancelado em breve.

Para Halima, a esperança é um futuro melhor fora do país, onde seus filhos possam viver em paz e segurança e ter uma educação.

 

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