Covid-19 avança em África e ONU alerta para perigo de fome entre refugiados
BR

9 julho 2020

Falta de financiamento dificulta resposta do Acnur e do PMA de combate à pandemia; Moçambique na lista de países que poderão sofrer cortes na ajuda; essa semana, continente ultrapassou marca de 500 mil casos do novo coronavírus.

Falta de financiamento, conflitos, desastres, falhas na cadeia de suprimentos, aumento dos preços e perda de renda devido à Covid-19 ameaçam deixar milhões de refugiados em África sem comida.

O alerta foi feito, esta quinta-feira, pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, e o Programa Mundial de Alimentos, PMA. Essa semana, o continente ultrapassou a marca de 500 mil casos do novo coronavírus.

Necessidades

O alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, disse que "milhões de pessoas dependem de ajuda para cumprir as suas necessidades alimentares." Segundo ele, cerca da metade das vítimas são crianças. 

Se não forem tomadas medidas urgentes, os níveis de desnutrição aguda, nanismo e anemia devem aumentar. Nos campos de refugiados na Etiópia, por exemplo, 62% das crianças já têm altos níveis de anemia.

Já o diretor executivo do PMA, David Beasley, afirmou que a situação continua se deteriorando para todos os africanos, mas é pior entre refugiados que não têm qualquer proteção. 

Beasley lembrou que “os refugiados vivem em condições limitadas, lutando para para cumprir suas necessidades básicas, e muitas vezes não têm outra opção se não a ajuda externa.”

Restrições 

O PMA presta assistência alimentar a mais de 10 milhões de refugiados em todo o mundo, mas está reduzindo serviços em alguns locais. No assentamento de Bidibidi no Uganda, por exemplo, as rações foram reduzidas em 30% em abril devido à falta de financiamento.

Várias populações de refugiados no continente, que tinham como se alimentar, sobretudo em áreas urbanas, agora estão enfrentando desafios. Uma grande parte perdeu sua única fonte de renda, devido às medidas de prevenção da Covid-19, e a maioria não tem direito à proteção social. 

Ao mesmo tempo, restrições de importação e exportação estão dificultando o funcionamento das cadeias de suprimentos.

Mares e oceanos

Na região do Sahel, que tem pouca ligação a mares e oceanos, existem dificuldades na assistência a grupos extremamente vulneráveis, incluindo mais de 1,2 milhão de refugiados. Nos Camarões, o PMA teve de reduzir sua assistência a pessoas da República Centro-Africana em 50% em maio e junho. Com os atuais níveis de financiamento, a agência terá que interromper a ajuda em dinheiro a partir de agosto. Deve haver cortes nas rações para refugiados nigerinos já este mês.

Mais de 3,2 milhões de refugiados no leste da África também já estão recebendo rações reduzidas, incluindo em países como Etiópia, Quênia, Sudão, Sudão do Sul e Tanzânia. Também poderão ser necessários cortes na República Democrática do Congo, Maláui, Moçambique e Zâmbia.

Preços

Em muitas partes do continente, o preço da comida está subindo. Na República do Congo, uma cesta básica aumentou 15%. Já em Ruanda, os preços dos alimentos em abril estavam em média 27% mais altos do que um ano antes e 40% mais altos do que em 2018.

Como resultado desses desafios, muitos refugiados estão deixando de fazer refeições ou reduzindo as porções. Em alguns casos, pedem esmolas nas ruas, fazendo trabalho sexual ou se casam prematuramente.

O PMA precise de US$ 1,2 bilhão até dezembro para sua resposta aos refugiados em todo o mundo, incluindo US$ 694 milhões para África. Como parte do Plano Global de Resposta Humanitária Global da ONU para a Covid-19, o Acnur pediu cerca de US$ 745 milhões, com US$ 227 milhões destinados às operações no continente. 

 

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