ONU quer US$ 202 milhões para ajudar mais de meio milhão de líbios
BR

5 fevereiro 2019

Pelo menos 823 mil pessoas precisam de ajuda humanitária no país africano; preços alimentares estão aproximadamente 200% mais caros do que período pré-conflito; coordenadora humanitária da ONU no país diz que "a situação está cada vez mais severa, mais difícil”. 

Cerca de US$ 202 milhões são necessários para fornecer assistência a mais de 550 mil pessoas em situação de fragilidade na Líbia.

Esta terça-feira, as Nações Unidas e o Governo de Acordo Nacional na Líbia lançaram um apelo que visa cobrir áreas como saúde, proteção, água e saneamento, abrigo e apoio na educação.

Crianças Tawergha brincam do lado de fora no assentamento Triq Al Matar em Trípoli, Líbia.
Crianças Tawergha brincam do lado de fora no assentamento Triq Al Matar em Trípoli, Líbia. Foto: Acnur/Sufyan Said

Abusos

De acordo com o Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha,  pelo menos 823 mil pessoas precisam de ajuda humanitária no país africano. Destas, cerca de 250 mil são crianças.

O Plano de Resposta Humanitária 2019 deve apoiar deslocados, retornados, afetados por conflitos, comunidades anfitriãs, refugiados e migrantes que enfrentam graves violações e abusos “pela ausência do Estado de direito”.

Segundo a ONU,  os sete anos de instabilidade e insegurança tiveram um forte impacto no bem-estar de dezenas de milhares de pessoas. Milhares de famílias não conseguem comprar comida, água e utensílios domésticos básicos.

A maioria dos necessitados vive em áreas urbanas densamente povoadas nas regiões oeste e leste da Líbia. Na área costeira de Sirte, e em partes do sul do país, a instabilidade tornou difícil o acesso de ajuda e as necessidades são maiores.

Apoio educacional deve ser dado a milhares de crianças e adolescentes cuja educação foi interrompida
Ocha/Giles Clarke
Apoio educacional deve ser dado a milhares de crianças e adolescentes cuja educação foi interrompida

Assistência

Em 2019, o plano de resposta humanitária também prevê oferecer proteção e educação sobre risco de minas. Crianças em comunidades locais devem receber o tipo de ajuda que inclui assistência aos sobreviventes de explosões.

A assistência internacional deve apoiar equipes médicas de emergência e móveis para áreas com assistência limitada, além de reforçar a vigilância de doenças.

A grande prioridade é oferecer água e o saneamento em centros de detenção que já estão lotados e insalubres, escolas em áreas marginalizadas e acampamentos de deslocados internos e refugiados.

O plano prevê fazer chegar material para aumentar abrigos e subsídios para custear emergências, rendas de casa e materiais de construção. O apoio educacional deve ser dado a milhares de crianças e adolescentes cuja educação foi interrompida.

Menino, que se machucou brincando, posa para a câmera no assentamento de Qaryounis
Ocha/Giles Clarke
Menino, que se machucou brincando, posa para a câmera no assentamento de Qaryounis

Desnutrição

Na área de assistência alimentar, o plano quer distribuir suprimentos alimentares e oferecer ajuda a longo prazo com o apoio a áreas como agricultura, pecuária e pescas.

O Programa Mundial de Alimentação, PMA,  revelou que cerca de 21% das crianças entre seis meses e cinco anos sofrem de desnutrição crônic na Líbia.

Somente em dezembro, mais de 96 mil pessoas receberam apoio alimentar. O número de beneficiários teria aumentado 6% em janeiro.

Em 2018, as importações de alimentos baixaram por causa do acesso limitado ao porto e dos bloqueios nas estradas. Os preços de alimentos básicos, como arroz e farinha de trigo, subiram em até 200% em comparação com os níveis pré-conflito.

 

 

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