Acelerar a recuperação de Moçambique após ciclones é nova meta da ONU
BR

21 dezembro 2019

Reservas de emergência esgotaram na resposta humanitária a ciclones de 2019; Escritório de Assistência Humanitária alerta que pelo menos uma grande tempestade poderá atingir o país na atual temporada de ciclones. 

As Nações Unidas anunciaram que pelo menos 2,5 milhões de pessoas precisam de assistência urgente em Moçambique, após o país ter sofrido desastres consecutivos incluindo secas, ciclones, inundações e episódios de insegurança.  

O Escritório de Assistência Humanitária da ONU, Ocha, precisa com urgência de US$ 97,3 milhões nos próximos cinco meses. O montante faz parte dos US$ 424,8 milhões do Plano de Resposta Humanitária lançado para apoiar os necessitados.  

Financiamento  

Escola 25 de Junho, na cidade da Beira, em Moçambique, foi danificada durante o ciclone Idai

O Ocha destacou que esses fundos são “absolutamente vitais” para salvar vidas e aliviar o sofrimento de 2 milhões de pessoas até maio de 2020. 

Centenas de milhares de pessoas em todo o país não terão acesso à assistência essencial se esse financiamento não chegar com urgência, alerta a ONU. A meta do Plano de Resposta Humanitária revisto é atender os mais atingidos pelos desastres.  

Em 2019, as agências humanitárias aumentaram as operações em Moçambique com cerca de US$ 300 milhões de doadores. Esse valor permitiu fazer chegar ajuda alimentar a cerca de 1,9 milhão de pessoas. 

Mais de 704 mil crianças foram testadas com desnutrição aguda, 406 mil pessoas receberam apoio essencial de emergência e outras 765 mil famílias tiveram acesso à água potável e ao saneamento. 

Temporadas  

O Ocha destaca que apesar desses avanços ainda existem lacunas. Mais fundos são necessários com o aproximar do pico das temporadas de seca e de ciclones.  

Os valores devem ajudar a chegar às áreas de difícil acesso, em risco e inseguras, principalmente nas províncias de Sofala, Manica e Cabo Delgado. As três regiões foram as mais afetadas pelos ciclones que abalaram o país este ano.  

O ciclone tropical Kenneth devastou a província de Cabo Delgado, norte de Moçambique onde 38 pessoas perderam a vida causando mais de 20 mil deslocados.

Nove meses após a passagem do ciclone Idai e oito meses depois do Kenneth essas áreas ainda estão se recuperam num cenário de casas destruídas, danificadas ou abrigos improvisados. 

Cerca de 92,5 mil pessoas continuam deslocadas em 71 locais improvisados que precisam de comida, água, educação, abrigo, instituições financeiras, serviços de saúde e proteção.  

Deficiência  

No auge da chamada temporada de escassez, entre janeiro e março, espera-se que as pessoas em insegurança alimentar enfrentem as piores necessidades após a passagem dos dois ciclones por Moçambique. 

O país registrou novos casos de pelagra pela primeira vez em vários anos. Mais de 3,5 mil pacientes desse tipo de deficiência de vitamina B3 foram identificados até o momento. 

Espera-se que pelo menos uma grande tempestade venha a atingir o país que em média sofre 1,5 ciclone por ano. 

As Nações Unidas destacam ainda que as reservas de emergência esgotaram durante a resposta humanitária em 2019. Para reabastecer os armazéns com esses suprimentos são necessários cerca de US$ 597 mil. 

Meninos da cidade da Beira após a passagem do ciclone Idai.
ONU Moçambique
Meninos da cidade da Beira após a passagem do ciclone Idai.

 

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