Em Maputo, chefe da OIM diz que mundo está confrontado com o desafio de evitar degradação ambiental

20 agosto 2019

António Vitorino pede que não sejam esquecidas as áreas afetadas pelos ciclones; visita ocorre cinco meses após o primeiro desastre; diretor vê Encontro de Cúpula sobre Mudanças Climáticas como oportunidade para abordar impactos do clima nas migrações e na mobilidade.

O diretor-geral da Organização Internacional para Migrações, OIM, está desde esta segunda-feira em Moçambique a acompanhar as ações da agência no país na sequência da passagem de dois ciclones em 2019.

Para António Vitorino é essencial reconhecer a eficiência da resposta nacional após o ciclone Idai, que afetou a região central em meados de março, e o ciclone Kenneth que seis semanas depois assolou o norte de Moçambique.

Secretário-geral António Guterres visita tendas temporárias usadas como salas de aula na escola 25 de junho na cidade da Beira, Moçambique. A escola foi destruída pela passagem do ciclone Idai. Foto: ONU Moçambique

Desastres

Falando a jornalistas, o chefe da OIM elogiou a resposta internacional aos desastres, mas destacou que é essencial “não esquecer a Beira e Cabo Delgado”, as áreas mais afetadas pelas tempestades tropicais.

Ao ser questionado como Moçambique poderia servir de exemplo para mobilizar os participantes no Encontro de Cúpula do Secretário-Geral da ONU para a Ação Climática, o representante disse que esse caso deve sensibilizar os países sobre a emergência climática.

“A cimeira vai ter um papel muito importante ao chamar a atenção para um fenômeno global que afeta todo o mundo de igual forma, mas não de igual modo. Todo o mundo está confrontado com o desafio coletivo de evitar a degradação das condições ambientais e que as alterações climáticas produzam resultados muito negativos para as vidas das pessoas e para as economias dos países. Mas é também uma oportunidade na Assembleia Geral das Nações Unidas e na Cimeira do Clima convocada pelo secretário-geral da ONU para pôr o foco específico nos impactos que as alterações climáticas têm nas migrações e na mobilidade das pessoas.”

Para a reunião internacional, que será realizada na sede da ONU em 23 de setembro, o secretário-geral já apelou todos os líderes a participar com ações ambiciosas, baseadas em planos concretos.

Ocha / Saviano Abreu
A cidade de Macomia, em Cabo Delgado foi fortemente afetada pelo ciclone Kenneth no dia 25 de abril. Muitas comunidades foram completamente destruídas.

Necessidades

Para o caso de Moçambique, Vitorino disse após a passagem dos dois desastres este ano é preciso garantir o apoio humanitário e a resposta às necessidades dos afetados.

Nesses esforços, também se deve chamar a atenção ao apoio às populações que buscam soluções de longo prazo, um tema que também será tratado no encontro de alto nível de setembro.

“Seja nos países onde as alterações climáticas significa uma subida das águas do mar, seja nos países onde estas signifiquem seca persistente e esgotamento dos modos de produção agrícola tradicionais, seja nos países onde as alterações climáticas se traduzem em cheias ou em terramotos, tremores de terra, que afetam a vida das pessoas.”

Em Moçambique, o chefe da OIM deve visitar populações em áreas afetadas pelos impactos dos ciclones tropicais.

Vitorino teve um encontro com o presidente de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi. A reunião abordou temas como políticas migratórias, acolhimento de moçambicanos no exterior, a situação de Moçambique como rota de trânsito e formas de lidar com fluxos migratórios.

 

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