Alto comissário diz que “linguagem venenosa” sobre refugiados e migrantes “não tem precedentes” BR

Dalila Leon, de três anos, com seu pai na fronteira entre Equador e Colômbia
Unicef/UN0247721/Arcos
Dalila Leon, de três anos, com seu pai na fronteira entre Equador e Colômbia

Alto comissário diz que “linguagem venenosa” sobre refugiados e migrantes “não tem precedentes”

Migrantes e refugiados

Filippo Grandi falou ao Conselho de Segurança esta terça-feira; representante disse que “nunca viu tamanha toxicidade e linguagem venenosa”; condições de segurança na Líbia estão "no limite".

O alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, disse que a atual estigmatização de refugiados, migrantes e estrangeiros “não tem precedentes.”

Grandi falou ao Conselho de Segurança esta terça-feira e disse que, em mais de 3 décadas como funcionário público internacional, “nunca viu tamanha toxicidade e linguagem venenosa em política, na mídia e em redes sociais.”

Resposta

Alto comissário para os Refugiados, Filippo Grandi, no Conselho de Segurança
Alto comissário para os Refugiados, Filippo Grandi, no Conselho de Segurança, by Foto ONU/Evan Schneider

Segundo o alto comissário, as respostas tradicionais às crises de refugiados são cada vez mais inadequadas.

Sobre a expressão “crise de refugiados”, Grandi explicou que representava uma crise “para uma mãe fugindo com os filhos da violência de gangues”, para “um adolescente que quer fugir da guerra, das violações dos direitos humanos, do recrutamento forçado”, e “para governos em países com poucos recursos que, todos os dias, abrem as fronteiras para milhares” de pessoas.

Apesar das dificuldades, o representante disse que é um erro retratar a situação como uma crise global incontrolável. Grandi acredita que, com vontade política e melhores respostas, o problema pode ser resolvido.

O alto comissário disse que o Conselho de Segurança tem um papel crítico a desempenhar, encontrando soluções para as crises de paz e segurança, apoiando países que acolhem refugiados e trabalhando para remover outros obstáculos.

Conflitos

Para Grandi, os conflitos são os principais responsáveis ​​pelos fluxos de refugiados. Dos quase 70 milhões de pessoas que estão deslocadas, a maioria está escapando de zonas de combates.

O representante disse que as respostas têm sido “fragmentadas” e “abordando os sintomas, em vez das causas.”

Líbia

O alto comissário deu o exemplo da Líbia, onde a Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, trabalha com a Organização Internacional para as Migrações, OIM. Segundo ele, as condições de segurança estão "no limite".

Migrantes num centro de detenção em Tripoli, na Líbia.
Migrantes num centro de detenção em Tripoli, na Líbia. , by Unicef/Alessio Romenzi

Com vários funcionários removidos do país por razões de segurança, o trabalho da Agência é “muito, muito difícil e perigoso”.

Segundo Grandi, o Conselho de Segurança deve agir de forma unida para acabar com a atual escalada militar, emitir um forte apelo aos civis e tomar medidas para lidar com as causas do conflito.

O representante também condenou as condições “horríveis e inaceitáveis” para refugiados e migrantes que são mantidos em campos de detenção no país.

Desenvolvimento

O alto comissário afirmou que o Conselho de Segurança deve aumentar o apoio aos países em desenvolvimento, que abrigam 85% dos refugiados do mundo, para evitar que os governos sejam expostos politicamente.

No que diz respeito ao regresso de refugiados e migrantes para os países de origem, Grandi afirmou que o Acnur nunca bloqueia esta opção. Segundo ele, os refugiados têm o direito de decidir se o querem fazer. A escolha deve ser informada, a decisão tem de ser respeitada e os retornos devem ser dignos.

Nova Zelândia

Grandi também destacou o exemplo do tiroteio em uma mesquita em Christchurch, na Nova Zelândia, em março, que deixou 49 mortos em março.

O alto comissário disse que a resposta do governo do país deve ser vista como um bom exemplo de liderança eficaz e de como responder a uma realidade tóxica de forma firme e organizada.