Guerra, perseguição e conflito provocaram fuga recorde de 70,8 milhões de pessoas em 2018

19 junho 2019

Chefe do Acnur diz que é importante que países vizinhos da Venezuela mantenham fronteiras abertas; Filippo Grandi lembra que cerca de metade dos refugiados em todo o mundo são crianças.

Um número recorde de 70,8 milhões de pessoas fugiu de situações de guerra, perseguição e conflito em 2018, afirmou esta quarta-feira o alto-comissário da ONU para os Refugiados.

Em nota, Filippo Grandi pediu maior solidariedade internacional para combater o fato de que o mundo se tornou "quase incapaz de fazer a paz".

Estimativas

Sam é um menino deslocado em Hodeida, no Iêmen. Em todo o mundo, cerca da metade dos refugiados são crianças, Acnur/Mahmood Al-Falastiny

O representante afirmou que os números do deslocamento global estão no “nível mais alto” que a agência registrou em cerca de 70 anos de existência.

Grandi acrescentou que estas estimativas são “conservadoras”, porque apenas meio milhão de venezuelanos dos 4 milhões que deixaram o país solicitaram formalmente o estatuto de refugiado e asilo.

Depois de relatos de que o Peru está restringindo a entrada de venezuelanos, Grandi afirmou que o risco é que outros países vizinhos, como Equador e Colômbia, façam o mesmo.

O representante disse que “essas pessoas estão fugindo, por isso é difícil obter documentos de seu próprio país”, e que esses documentos também são difíceis de obter na Colômbia e no Equador.

Grandi lembrou que o Peru é o segundo país que mais recebe venezuelanos e disse “ter simpatia” com os efeitos que isso causa. Mas pediu que países como Colômbia, Equador e Brasil mantenham suas fronteiras abertas “porque essas pessoas realmente precisam de segurança, proteção e assim por diante”.

Europa

O chefe da Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, comparou a situação com a que a Europa enfrentou em 2015, quando centenas de milhares de pessoas fugindo de guerras, incluindo o conflito sírio, arriscaram suas vidas para chegar à Grécia e Itália.

Grandi disse que “é um pouco parecido com o que aconteceu na Europa em 2015, quando uma fronteira se fechou atrás da outra.” Segundo ele, “há muitos riscos” quando isso acontece.

União

Narun no assentamento de Kutupalong, no Bangladesh. A mulher teve de escapar da violência contra os rohingya em Mianmar, Acnur/Kamrul Hasan

De acordo com o relatório Tendências Globais do Acnur, os níveis de deslocamento hoje são o dobro do que eram há 20 anos, confirmando uma tendência crescente no número de pessoas que precisam de proteção internacional.

Grandi pediu mais financiamento para ajudar os países a lidar com estes fluxos, mas também destacou a necessidade de uma melhor cooperação regional e internacional diante de “novos conflitos e novas situações que se juntam as antigas.”

O representante disse que essa união continua sendo um desafio, mesmo no Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, isso acontece “mesmo quando o órgão supremo da comunidade internacional para a paz e segurança discute questões humanitárias no Iêmen e na Líbia.”

Grandi lembrou o conflito da Gâmbia, resolvido em 2016, que permitiu que 50 mil pessoas regressassem ao seu país. Para ele, histórias como essas provam que “onde há um esforço regional, um esforço internacional, um conflito é abordado, as pessoas voltam.”

Crianças

O alto comissário também rejeitou preconceitos sobre migrantes e refugiados, lembrando que “metade são crianças.”

Segundo Fillipo Grandi, “as crianças não fogem para buscar melhores oportunidades, fogem porque existe um risco e um perigo.”

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