Crianças correspondem a um terço de pacientes com ebola na RD Congo
BR

11 dezembro 2018

Unicef alerta que  um em cada 10 pacientes com a doença tem menos de cinco anos; surto iniciado em agosto deixou mais de 400 crianças órfãs ou desacompanhadas em Kivu do Norte.

As crianças representam mais de um terço dos pacientes com ebola no leste da República Democrática do Congo, RD Congo, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

A agência revelou que um em cada 10 pacientes com a doença tem menos de cinco anos. O atual surto já matou pelo menos 285 pessoas e infectou 498 desde agosto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS.

Parceria

A diretora regional do Unicef para África Ocidental e Central, Marie-Pierre Poirier, chamou a atenção para os “números impressionantes” ao destacar que a proporção de uma criança em cada três doentes não está diminuindo.

As declarações foram feitas durante a visita à cidade de Beni, no início desta semana. A agência faz parte de uma parceria que abriu um jardim de infância ao lado do centro de tratamento para ajudar crianças pequenas com pais que recebem terapia na capital da província de Kivu Norte.

Desde que o local abriu, em novembro, mais de 20 bebês e crianças separadas dos pais com idades até oito anos receberam cuidados.

Mortes

A representante destacou que crianças que contraem o vírus têm um risco maior de morrer da doença do que os adultos, e que o número de mortos é muito mais alto em menores de idade.

A agência quer mais esforços para aumentar a consciência sobre os métodos de prevenção e para promover o acesso precoce ao tratamento, que melhora drasticamente as taxas de sobrevivência.

Para Marie-Pierre Poirier, a resposta à epidemia passa por olhar os afetados e infectados como humanos.

Diretora regional do Unicef para África Ocidental e Central, Marie-Pierre Poirier, chamou a atenção para os “números impressionantes”. Foto: ONU Geneva

Apoio 

Ela reconheceu que são muito importantes os aspectos médicos e clínicos para lidar com o surto  mas que “não são suficientes”. A agência oferece água e saneamento para apoiar às intervenções médicas e concede apoio psicossocial às crianças infectadas e afetadas por estarem separadas de seus familiares.

De acordo com o Unicef, a doença tem impacto nos filhos dos infectados porque alguns acabam ficando sozinhos quando seus pais ou encarregados são levados para centros de tratamento ou acabam morrendo.

Mais de 400 crianças ficaram órfãs ou desacompanhadas devido ao surto, segundo um levantamento feito pela agência das Nações Unidas e seus parceiros.

O aumento de crianças separadas dos pais deve-se ao alto número de pacientes nos centros de tratamento de Beni e Butembo, os atuais epicentros da doença.

A agência opera com mais de 50 especialistas nas regiões afetadas fora de Beni, Butembo, Mangina e Komanda.

Unicef/Thomas Nybo
Unicef quer mais esforços para aumentar a consciência sobre os métodos de prevenção do ebola.

 

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