“Surto de ébola é uma batalha que não pode ser perdida”, apela OIM na RD Congo

17 fevereiro 2019

Agência envolveu mais de 800 funcionários em esforços de prevenção em províncias afetadas; vigilância a viajantes rastreou mais de 32 milhões de pessoas em 80 pontos diferentes.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, pediu US$ 12 milhões à  comunidade internacional para apoiar os parceiros humanitários que atuam para conter o surto de ébola na República Democrática do Congo, RD Congo.

A OIM alerta que é preciso reduzir os números de mortos e evitar a propagação da doença, que em seis meses já tirou a vida de mais de 500 pessoas. Mais de 760 casos foram confirmados desde que foi declarado o segundo maior surto da história do país há mais de seis meses.

Thomas Kakule Manole observa enquanto um sobrevivente do Ebola se preocupa com sua filha de uma semana, Benedicte, em uma tenda de isolamento em um centro de tratamento de Ebola em Beni. Foto: Unicef/UN0264163/Hubbard

Instabilidade

Segundo a agência, a décima crise que ocorre no país é preocupante devido a fatores como insegurança prolongada, conflitos armados e instabilidade, que “desafiam a resposta humanitária e a saúde pública.”

Com o apoio da OIM, mais de 32 milhões de viajantes foram rastreados em 80 pontos. Trata-se de áreas de alta mobilidade populacional como mercados, áreas de trânsito e ao longo de importantes rotas de transporte.

A agência atua com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde, OMS, na vigilância e na prevenção, usando tendências de mobilidade para minimizar a transmissão em novas áreas e além-fronteiras.

A OIM informou que tem formado funcionários para detetar doenças entre os viajantes. Essas atividades incluem a distribuição de equipamentos e suprimentos essenciais em pontos de deteção e o reforço da supervisão.

Resposta 

A viagem de carro desde a área onde se registam casos até Goma, capital do Kivu do Norte, dura cerca de um dia. A preocupação é que cheguem casos a esta cidade, onde vivem mais de 1 milhão de pessoas, e aos países vizinhos Ruanda, Uganda e Sudão do Sul.  

Em áreas das províncias do Kivu do Norte, Ituri e outras que ainda não foram afetadas pela doença, os pontos de rastreio ajudam a prevenir a propagação da doença e a reforçar a capacidade para detetar e responder a possíveis casos.

Falando sobre os cerca de 800 funcionários da agência que apoiam nesses esforços, o chefe da OIM na RD Congo, Fabien Sambussy, disse que o combate à doença “é uma corrida contra o relógio” e “uma batalha que não pode ser perdida”.

Os pontos de triagem avaliam sintomas da doença em viajantes, a temperatura corporal, apoiam a lavagem das mãos e avaliam fatores de risco como visita a uma zona afetada ou participação em funeral de um paciente de ébola.

Os viajantes que fazem os exames também recebem informações sobre riscos, prevenção e procedimentos em caso de contraírem a doença.

Unicef/UMichele Sibiloni
Enfermeira prepara uma cama para um paciente com suspeitas de ebola, no Hospital Bwera, na RD Congo.

 

 

 

 

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