Secretário-geral António Guterres

ONU/Violaine Martin
A ONU nasceu da guerra. Hoje, devemos estar aqui para a paz.

Secretário-geral da ONU, António Guterres. 12 de dezembro de 2016

Perfil António Guterres

Vista do Castelo de São Jorge em Lisboa, Portugal. Foto: © Clara Pereira
Vista do Castelo de São Jorge em Lisboa, Portugal. Foto: © Clara Pereira

Conheça a história do novo secretário-geral da ONU António Guterres

António Guterres, o nono Secretário-Geral das Nações Unidas, assumiu as funções a 1 de Janeiro de 2017.

Depois de assistir ao sofrimento das pessoas mais vulneráveis na Terra, nos campos de refugiados e nas zonas de guerra, o Secretário-Geral está determinado a fazer da dignidade humana o centro do seu trabalho e a servir como mediador da paz, construtor de pontes e promotor da reforma e da inovação.

Antes da sua eleição como Secretário-Geral, Guterres serviu como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, de junho de 2005 a dezembro de 2015, liderando uma das principais organizações humanitárias do mundo durante a maior parte das crises mais graves de deslocamento em décadas. Os conflitos na Síria e no Iraque e as crises no Sudão do Sul, na República Centro-Africana e no Iémen levaram a um aumento considerável das atividades do ACNUR, pois o número de pessoas deslocadas por conflitos e perseguições aumentou de 38 milhões em 2005 para mais de 60 milhões em 2015.

Antes de se juntar ao ACNUR, Guterres passou mais de 20 anos no governo e no serviço público. Desempenhou funções de primeiro-ministro de Portugal de 1995 a 2002, período durante o qual esteve fortemente envolvido no esforço internacional para resolver a crise em Timor-Leste.

Como presidente do Conselho Europeu no início de 2000, Guterres liderou a adoção da Agenda de Lisboa para o crescimento e o emprego e copresidiu a primeira cimeira União Europeia-África. Foi membro do Conselho de Estado Português de 1991 a 2002.

Foto ONU: Jean-Marc Ferré
Secretário-geral, António Guterres.

Guterres foi eleito para o Parlamento Português em 1976, onde foi membro por 17 anos. Durante o período, presidiu a Comissão Parlamentar de Economia, Finanças e Planeamento e, mais tarde, a Comissão Parlamentar de Administração Territorial, Municípios e Meio Ambiente e também foi líder do grupo parlamentar do seu partido.

De 1981 a 1983, Guterres foi membro da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, onde presidiu a Comissão de Demografia, Migração e Refugiados.

Durante vários anos, ele foi ativo na Internacional Socialista, organização mundial de partidos políticos social-democratas. Foi vice-presidente do grupo de 1992 a 1999, copresidente do Comité Africano e mais tarde do Comité de Desenvolvimento. Ele desempenhou as funções de presidente de 1999 até meados de 2005. Além disso, fundou o Conselho Português dos Refugiados, bem como a Associação Portuguesa de Consumidores (DECO), e foi presidente do Centro de Ação Social Universitária, uma associação que realizou projetos de desenvolvimento social nos bairros pobres de Lisboa, no início dos anos 70.

Guterres é membro do Clube de Madrid, uma aliança de líderes composta por ex-presidentes democráticos e primeiros-ministros de todo o mundo.

António Guterres nasceu em Lisboa em 1949 e formou-se no Instituto Superior Técnico em licenciatura em engenharia. É fluente em português, inglês, francês e espanhol. É casado com Catarina de Almeida Vaz Pinto, vereadora da Cultura da Câmara de Lisboa, e tem dois filhos, um enteado e três netos.

Discurso de Posse

Foto ONU: Rick Bajornas
Cerimônia na Assembleia Geral, em Nova Iorque. 

 

O próximo secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que as "Nações Unidas nasceram da guerra e hoje, devem estar aqui para a paz".

Falando em inglês, Guterres prestou juramento, esta segunda-feira, em cerimônia na Assembleia Geral, em Nova York. Ele jurou solenemente exercer lealdade e defender os interesses da ONU.

Prioridades

Logo depois, Guterres falou sobre suas três prioridades: paz e segurança, desenvolvimento sustentável e reforma das Nações Unidas.

O próximo secretário-geral afirmou que " a organização é o pilar do multilateralismo e tem contribuído para décadas de uma paz relativa". Mas ele disse que "os desafios atuais estão superando a sua capacidade de resposta e a ONU precisa estar pronta para mudar".

António Guterres disse que os conflitos se tornaram mais complexos e interligados do que nunca e produzem "terríveis" violações das leis internacionais e de direitos humanos.

O próximo chefe da ONU declarou que as pessoas estão sendo forçadas a fugir de suas casas numa escala jamais vista em décadas e alertou para uma nova ameaça, o terrorismo global.

Ele citou ainda mudança climática, crescimento da população, rápida urbanização, insegurança de alimentos e escassez de água.

Progressos

Segundo Guterres, nos últimos 20 anos foram alcançados progressos tecnológicos extraordinários, a economia global cresceu e os indicadores sociais básicos melhoraram. Além disso, a proporção de pessoas que deixaram de viver na pobreza caiu drasticamente.

Mas ele afirmou que a globalização e o progresso tecnológico contribuíram para o aumento das desigualdades.

O novo chefe da ONU declarou que muitas pessoas acabaram ficando para trás, incluindo nos países em desenvolvimento, onde empregos desapareceram e novos postos de trabalho estão fora do alcance de muitos.

Guterres afirmou que o desemprego entre os jovens "explodiu" e a globalização também ampliou o alcance do crime organizado e do tráfico. Ele disse que "o medo "está comandando as decisões de muitas pessoas em todo o mundo".

Para Guterres, uma das maiores deficiências atuais é a "incapacidade de prever crises".

Prevenção

Falando em francês, o próximo secretário-geral disse que "a prevenção exige lidar com as causas do problema entre os três pilares das Nações Unidas: paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos".

Ele afirmou que "a proteção e a autonomia de mulheres e meninas são fundamentais. Igualdade de gênero é a chave para o desenvolvimento".

Guterres declarou que em crises graves, como na Síria, Iêmen, Sudão do Sul, entre outros e em longas disputas como o conflito entre israelenses e palestinos são necessários mais esforços de mediação, arbitragem e o que chamou de diplomacia criativa.

Ele alertou que "a escala de desafios atuais exige que todos os países cooperem para uma reforma profunda e contínua das Nações Unidas".

Guterres citou ainda que a ONU "não fez o suficiente para prevenir e responder a crimes de violência e exploração sexual cometidos por tropas de paz.

Ele prometeu trabalhar conjuntamente com os países-membros na criação de medidas estruturais, legais e operacionais para tornar realidade a política de tolerância zero da organização.

Valores

Guterres encerrou o discurso prometendo respeitar a paridade de gênero até o final de seu mandato, em 2021.

Ele disse que "todos nós vivemos em um mundo complexo e que as Nações Unidas não podem fazer tudo sozinhas". Para o próximo secretário-geral, "a parceria deve ser parte central da nova estratégia".

Guterres quer que o mundo, que será herdado pelas crianças, seja definido pelos valores consagrados na Carta da ONU: paz, justiça, respeito, direitos humanos, tolerância e solidariedade.

Ele explicou que as ameaças a esses valores têm como base, geralmente, o medo. António Guterres afirmou que o dever de todos é trabalhar em conjunto para acabar com o medo mútuo e transformá-lo em confiança mútua.

Guterres assume o cargo de secretário-geral em 1º de dezembro, substituindo o atual chefe da ONU, Ban Ki-moon, cujo mandato termina em 31 de dezembro.

Discurso Assembleia Geral 2017

 

Foto ONU: Evan Schneider
António Guterres discursa na Assembleia Geral da ONU.

O secretário-geral das Nações Unidas iniciou o seu discurso no debate da 72ª Assembleia Geral citando desafios como insegurança, desigualdade, conflitos, mudanças climáticas, economia e polarização na política.

António Guterres disse que perante um "mundo em pedaços" é preciso paz. O chefe da ONU disse acreditar firmemente que, juntos, é possível construir a paz, restaurar a confiança e criar um mundo melhor para todos.

Ameaças e testes

Em sua primeira Assembleia Geral como chefe da ONU, Guterres enumerou o que chamou de  "ameaças e testes" que se colocam no caminho para atingir os avanços.  Ele mencionou o risco nuclear.

Para uma solução do problema, ele considera que é "preciso um sentido de Estado e que não se deve dar oportunidade a guerra".

Em segundo lugar, o secretário-geral falou da ameaça global do terrorismo. Ele vai convocar o primeiro encontro de chefes de agências e Estados-membros contra o terrorismo, e uma parceria internacional para combater o problema.

Soluções

Por outro lado, os conflitos não resolvidos e as violações sistemáticas do direito internacional humanitário também são um desafio. Após declarar que ninguém ganha com as guerras de hoje ele citou a Síria, o Iémen, o Sudão do Sul, o Sahel, o Afeganistão e outros lugares ao pedir soluções políticas para a paz.

Guterres mencionou ainda o desafio da mudança climática, que "coloca as esperanças do mundo em perigo". Ele afirmou que a última década foi a mais quente já documentada com a perda de glaciares e do gelo permanente, e a subida do nível do mar. Guterres lembrou o número de catástrofes naturais quadruplicou desde 1970 e que mais de 1600 desastres ocorreram desde 1995, sendo o maior número deles nos Estados Unidos, na China, na Índia, nas Filipinas e na Indonésia.

Tecnologias

Em quinto lugar, o chefe da ONU abordou o aumento da desigualdade que "está prejudicando os alicerces da sociedade e do pacto social".

O lado sombrio da inovação é a sexta ameaça que se deve enfrentar, segundo António Guterres.

No seu discurso, o secretário-geral realçou ainda o desafio da mobilidade humana ao citar que o mundo não enfrenta apenas uma crise de refugiados mas também de solidariedade.

No pronunciamento, Guterres elogiou os países que demonstraram hospitalidade a milhões de deslocados e recordou que a maioria dos migrantes se move de forma bem ordenada, contribuindo positivamente para os países de destino e origem.

Guterres defendeu o multilateralismo que considerou "mais importante do que nunca". Ele apelou a comunidade internacional a unir-se e que atue como um todo para cumprir a promessa da Carta das Nações Unidas e promover a dignidade humana para todos.

Operações militares

Sobre o Mianmar, Guterres disse que as autoridades do país devem parar com as operações militares no estado de Rakhine e permitir o acesso humanitário sem obstáculos. O outro apelo é que sejam abordadas as queixas da minoria Rohingya, cuja "situação não foi resolvida por muito tempo".

Sobre o conflito israelense-palestino, ele pediu que não se deixe que a estagnação de hoje no processo de paz leve à escalada. Ele defendeu que se deve restaurar as esperanças das pessoas e que a solução de dois Estados continua sendo o único caminho a seguir e buscado com urgência.

Mensagens de Ano Novo

“Vamos fazer de 2017 um Ano para a Paz” Secretário-Geral da ONU António Guterres

Na sua primeira mensagem como Secretário-Geral, António Guterres, apela ao mundo para que tenha uma resolução comum de Ano Novo – "colocar a paz em primeiro lugar" em 2017.

"Vamos fazer de 2017 um Ano para a Paz" Secretário-Geral da ONU António Guterres.

António Guterres divulga mensagem de Ano Novo com alerta para o mundo

Secretário-geral da ONU fala sobre desafios enfrentados pelo globo neste ano que se inicia.

Segundo Guterres, novos conflitos, armas nucleares, alterações climáticas, desigualdades e violações dos direitos humanos continuam ameaçando a humanidade.

O chefe das Nações Unidas também citou nacionalismos e xenofobia, e pediu a todos que se unam em 2018 para tornar o mundo mais seguro.

Aos líderes internacionais, António Guterres apelou para um estreitar de laços e reconstrução da confiança.

Mensagem de Ano Novo do Secretário-Geral da ONU.

Mudança Climática

“Mudança climática continua sendo a maior ameaça à raça humana”, afirmou o secretário-geral da ONU em encontro com jornalistas na sede da organização no dia 29 de março de 2018. 

António Guterres disse que as manchetes dos jornais são dominadas por assuntos políticos, como escalada de conflitos e violência.

 

Prejuízo recorde

Mas segundo Guterres, “a verdade é que a ameaça mais sistêmica à raça humana continua sendo a mudança climática”. O chefe da ONU citou um “tsunami de dados” recentes que devem criar muita preocupação.

Ele citou alguns desses dados: os prejuízos com desastres do clima baterem o recorde de US$ 320 bilhões no ano passado; as emissões de dióxido de carbono do setor energético subiram para 32,5 gigatoneladas e a temporada de furacões no Caribe que acabou, em instantes, com décadas de desenvolvimento.

Segundo o secretário-geral, a concentração na atmosfera de CO2, metano e óxido nitroso é a mais alta em 800 mil anos. Os oceanos estão mais quentes e mais ácidos do que antes.

Guterres lembrou do Acordo de Paris sobre o clima, um compromisso internacional por ações que mantenham o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius.

Mas o chefe da ONU disse que alguns cientistas já falam na possibilidade desse objetivo não ser alcançado. Por isso, Guterres fez um apelo aos líderes mundiais, para que cortem as emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 25% até 2020.

O secretário-geral anunciou que vai promover uma conferência em 2019 para aumentar a ambição neste sentido, porque “centenas de milhões de pessoas” dependem dessas mudanças.

Enviado especial 

No início do mês de março, António Guterres renovou  o mandato de Michael R. Bloomberg como enviado especial para a ação climática.

Foto: ONU/Eskinder Debebe
Secretário-geral, António Guterres, encontra-se na sede da ONU com Michael R. Bloomberg.

 

O chefe das Nações Unidas afirmou que é um “enorme privilégio” trabalhar com Bloomberg, e que o empresário “está a liderar numa área que é provavelmente a questão principal do nosso tempo: a luta contra mudança climática.”

Sobre o ex-prefeito de Nova Iorque, Guterres disse que a sua “ação permanente, mobilização de cidades, empresas, estados dos Estados Unidos, e países de todo o mundo fizeram uma enorme diferença” nesta luta.

Segundo ele, pessoas como o empresário “fazem-nos acreditar que em breve começaremos a derrotar as mudanças climáticas” e que “o Acordo de Paris pode ser totalmente implementado, com uma ambição renovada.”

Bloomberg foi nomeado enviado especial, pela primeira vez, em 2014, pelo então secretário-geral Ban Ki-moon.

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