ONU lança Agenda para o Desarmamento em mundo que gasta US$ 1,7 trilhão com armas e exércitos
BR

24 maio 2018

Proposta é do secretário-geral da ONU, António Guterres; montante é 80 vezes o necessário para cobrir todas as despesas com ajuda humanitária global, sendo o maior valor já gasto desde a queda do Muro de Berlim; em Genebra, chefe da ONU pede fim de armas químicas e nucleares e fim do tráfico de armas de pequeno porte.

O secretário-geral da ONU lançou sua agenda para o desarmamento nesta quinta-feira, na Universidade de Genebra, na Suíça.

António Guterres afirmou que “a ameaça imposta por armas de todos os tipos está causando ansiedade global”.

Eliminação

Ele explicou que a nova agenda vai além das armas nucleares e de destruição em massa, porque “o desarmamento preocupa todos os países” e envolve desde granadas até bombas de hidrogênio.

Segundo Guterres, o desarmamento tem a ver com “controle de armas, não-proliferação, proibições e eliminação” de alguns tipos de armamentos, algo “essencial para garantir segurança no mundo”.

O secretário-geral falou que estamos vivendo em “tempos perigosos”, pois as “tensões da Guerra Fria voltaram” e as “relações globais estão mais complicadas e imprevisíveis”.

Gastos mundiais

O chefe da ONU destacou que mais de US$ 1,7 trilhão foram gastos no ano passado com armamentos, o valor mais alto desde a queda do Muro de Berlim. Esse montante é 80 vezes o necessário para a ajuda humanitária global.

A agenda de desarmamento de Guterres tem três prioridades: desarmamento para salvar a humanidade; desarmamento que salve vidas e desarmamento para gerações futuras. 

Arsenal

O secretário-geral explicou que salvar a humanidade será possível com a eliminação de armas nucleares, químicas e biológicas. Segundo ele, ainda existe um arsenal de 15 mil armas nucleares pelo mundo. Centenas estão prontas para serem lançadas em questão de minutos.

Mas por meio de “políticas e ações”, Guterres lembrou que os governos podem garantir que a prática de 72 anos sem uso de armas nucleares permaneça para sempre.

Ele garantiu que a ONU tomará medidas para acabar e prevenir o uso das armas de destruição em massa, especialmente das armas químicas. Desde 2014, foram analisados 83 incidentes envolvendo armas químicas na Síria.

Crimes cibernéticos

Guterres disse estar trabalhando com o Conselho de Segurança para “restaurar o respeito global pela eliminação das armas químicas”.

ONU Foto/Martine Perret
Armas sendo destruídas no Burundi.

Para salvar vidas, António Guterres quer a redução das armas convencionais, porque “a violência armada está causando o caos em várias partes do mundo”, com civis sendo mortos ou feridos.

O secretário-geral também está lançando uma nova iniciativa para combater o tráfico ilícito de armas de pequeno porte e para isso, vai repassar verbas do Fundo de Consolidação da Paz da ONU para governos com ações neste sentido.

Sobre o desarmamento para gerações futuras, Guterres explicou que a tecnologia e a inteligência artificial têm o potencial de construir novas armas, e que isso pode gerar uma nova corrida armamentista. Outra preocupação são os ataques cibernéticos.  

Ele quer “seres humanos controlando o uso da força” sempre e pede normas para garantir a transparência e a responsabilização no uso de drones armados, por exemplo.

António Guterres encerrou seu discurso na Universidade de Genebra afirmando a ONU foi criada com a meta de eliminar as armas, mas sete décadas depois, o mundo está mais perigoso. Por isso, é necessária uma ação de todos para que o desarmamento aconteça.

Apresentação: Leda Letra.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud