Guterres: “salvar o Pacífico é salvar o planeta inteiro” BR

O secretário-geral da ONU, António Guterres, visitou Vanuatu na última etapa da sua missão no Oceano Pacífico, para avaliar os efeitos das mudanças climáticas. (18 de maio de 2019)
Foto: ONU/Mark Garten
O secretário-geral da ONU, António Guterres, visitou Vanuatu na última etapa da sua missão no Oceano Pacífico, para avaliar os efeitos das mudanças climáticas. (18 de maio de 2019)

Guterres: “salvar o Pacífico é salvar o planeta inteiro”

Clima e Meio Ambiente

Ao final de visita ao sul da região, chefe da ONU destaca emergência climática global e diz que “riscos são todos reais demais”; António Guterres visitou durante a semana a Nova Zelândia  e as ilhas Fiji, Tuvalu e Vanuatu.

Em declarações dadas no final de sua visita ao Pacífico Sul, o secretário-geral das Nações Unidas disse que durante a semana testemunhou “em primeira mão os impactos da mudança climática nos Estados insulares” da região.

António Guterres lembrou que estes países “contribuem muito pouco para a emergência climática global e, no entanto, são os que estão sendo mais afetados”. O chefe da ONU destacou que para alguns deles, “a mudança climática é agora uma ameaça existencial.”

Riscos


Guterres passou pela Nova Zelândia e pelas ilhas Fiji, Tuvalu e Vanuatu. Em Tuvalu, por exemplo, o representante visitou uma área inundada pela subida do nível dos mares, onde encontrou várias famílias que estão com suas casas ameaçadas.

Para o secretário-geral “os riscos são todos reais demais”. Em sua avaliação, ele destacou que” vilas inteiras estão sendo transferidas, meios de subsistência destruídos e pessoas ficando com doenças relacionadas ao clima”. 

Guterres acrescentou que “o que é notável nesses países é que, enquanto enfrentam esse enorme desafio, decidiram que não estão desistindo.”  

O chefe da ONU apontou que essas nações estão “determinadas a encontrar soluções e desenvolveram formas de aumentar sua resiliência e adaptação” e que além disso “lideram o caminho na redução de emissões e são um exemplo que o resto do mundo deve seguir.”

Vanuatu is one of the most disaster-prone countries, made worse by the global climate emergency. On my visit I saw first-hand how the Pacific island nation is facing threats with determined #ClimateAction. pic.twitter.com/U8w7urR2ik

— António Guterres (@antonioguterres) May 18, 2019

Mensagens

Mas o secretário-geral lembrou que “a mudança climática não pode ser interrompida apenas pelos pequenos países insulares, mas travada pelo resto do mundo.” 

Guterres destaca emergência climática no mundo ao encerrar visita ao Pacífico Sul

Segundo ele, é preciso “entender que a batalha contra a mudança climática requer a vontade política para medidas de transformação em energia, mobilidade, indústria e agricultura”. 

Durante a viagem ao Pacífico Sul, Guterres transmitiu três mensagens urgentes aos líderes mundiais. A primeira, é de que é preciso “transferir os impostos dos salários para o carbono”, tributando assim a “poluição e não às pessoas”. 

Em segundo, de que é necessário parar com o subsídio dos combustíveis fósseis. Para Guterres, “o dinheiro do contribuinte não deve ser usado para aumentar os furacões, espalhar a seca e as ondas de calor, derreter glaciares e descorar os corais.”

A visita de Guterres nas ilhas Fiji

Economia 

A terceira mensagem do secretário-geral foi de que é preciso “parar de construir novas usinas de carvão até 2020” e o que todos precisam é “uma economia verde e não de uma economia cinza.”

O chefe das Nações Unidas concluiu sua declaração dizendo que o que se pede “não é solidariedade, não é generosidade, é um interesse próprio esclarecido de todos os tomadores de decisão em todo o mundo porque não é apenas o Pacífico que está em jogo, é todo o planeta.” Para Guterres, “salvar o Pacífico é salvar o planeta inteiro.”