Agência da ONU alerta que fundos de operação têm déficit histórico BR

Mulheres esperam por ajuda alimentar em um centro de distribuição em Afgoye, na Somália
ONU/Tobin Jones
Mulheres esperam por ajuda alimentar em um centro de distribuição em Afgoye, na Somália

Agência da ONU alerta que fundos de operação têm déficit histórico

Ajuda humanitária

Escritório para Assistência Humanitária, Ocha, precisa de mais de US$ 34 bilhões para continuar com auxílio; mundo tem recorde de 303 milhões de pessoas em áreas de crise; neste 19 de agosto, ONU marca Dia Mundial Humanitário.

As Nações Unidas anunciaram que o custo de projetos de assistência este ano devem chegar a US$ 50 bilhões. E apesar de promessas de financiamento, apenas US$ 15 bilhões foram entregues até agora pelos países.

O alerta foi feito pelo Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, na sexta-feira.

O porta-voz do Ocha, Jens Laerke diz que o problema agora são as demandas no mundo subindo mais rapidamente que o financiamento
ONU/Jean-Marc Ferré
O porta-voz do Ocha, Jens Laerke diz que o problema agora são as demandas no mundo subindo mais rapidamente que o financiamento

Demandas altas x financiamento lento

A agência diz que é o maior buraco de financiamento de sua história, num momento em que 303 milhões de pessoas estão vivendo em áreas de crise em todo o globo.

O apelo da ONU quer alcançar 204 milhões dentre os mais vulneráveis. O porta-voz do Ocha, Jens Laerke diz que o problema agora são as demandas no mundo subindo mais rapidamente que o financiamento obtido.

E os humanitários estão sendo solicitados a fazer mais e mais em ambientes perigosos.

Trabalhadores humanitários entregam assistência na Ucrânia.
Foto: UNOCHA/Ivane Bochorishvili
Trabalhadores humanitários entregam assistência na Ucrânia.

Sudão do Sul, Afeganistão e Síria são os mais violentos

No ano passado, mais de 140 trabalhadores humanitários foram mortos em serviço. O número mais alto desde 2013.

Ainda em 2021, 203 humanitários ficaram feridos e 117 foram sequestrados enquanto trabalhavam.

Segundo Jens Laerke, Sudão do Sul, Afeganistão e Síria continuam sendo os países mais violentos. Somente neste ano, 168 trabalhadores humanitários foram atacados e 44 morreram.

Neste 19 de agosto, Dia Mundial Humanitário, o Ocha lança uma campanha chamada “É preciso uma aldeia”, na tradução do inglês.

A iniciativa mostra como os trabalhadores humanitários se unem para aliviar necessidades extremas.

O secretário-geral Kofi Annan que chega em Dili, Timor-Leste, é recebido pelo líder da independência Xanana Gusmão. À direita está o administrador de transição da ONU, Sergio Vieira de Mello. 17 de fevereiro de 2000
ONU/Eskinder Debebe
O secretário-geral Kofi Annan que chega em Dili, Timor-Leste, é recebido pelo líder da independência Xanana Gusmão. À direita está o administrador de transição da ONU, Sergio Vieira de Mello. 17 de fevereiro de 2000

Brasileiro Sergio Vieira de Mello morreu em Bagdá

Assim como o ditado: “É preciso uma aldeia para criar uma criança”, é preciso uma aldeia de humanitários trabalhando com comunidades atingidas para levar ajuda e esperança a pessoas afetadas por crises.

O chefe do Ocha, Martin Griffiths, disse que este ano, o público está convidado a participar na rede social do Dia Humanitário.

A data foi criada pela Assembleia Geral em 2008 para marcar o aniversário do atentado terrorista à sede da ONU em Bagdá, no Iraque.

O prédio da Missão das Nações Unidas no país foi alvo de um caminhão-bomba em 19 de agosto de 2003.

No ataque, morreram 22 funcionários da organização incluindo o chefe da Missão da ONU no país, o brasileiro Sergio Vieira de Mello.