Iêmen alcança “marca vergonhosa” de 10 mil crianças mortas ou mutiladas
BR

19 outubro 2021

Menores foram assassinados ou feridos desde 2015, quando os conflitos começaram; agência da ONU destaca que total equivale a quatro crianças por dia vítimas da violência; porta-voz do Unicef visitou o país que está “à beira do colapso”. 

O porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, declarou nesta terça-feira que o conflito no Iêmen atingiu uma “marca vergonhosa”: 10 mil crianças foram mortas ou mutiladas desde que os confrontos começaram, em março de 2015.

Segundo James Elder, são praticamente quatro crianças vítimas da violência por dia, sem contar os casos de crianças mortas ou feridas que não foram registrados. Elder acaba de retornar de uma missão ao Iêmen, após visitar norte e sul do país. 

Pai e filho caminham por um campo de deslocados internos perto da cidade de Marib, no Iêmen
© PMA/Annabel Symington
Pai e filho caminham por um campo de deslocados internos perto da cidade de Marib, no Iêmen

Quatro ameaças 

Em Genebra, o porta-voz do Unicef explicou que encontrou com diversas crianças e que todas estão sofrendo. Elder também conversou com pediatras, professores e enfermeiros, sendo que todos partilharam histórias pessoais parecidas com a história do próprio Iêmen: “todos estão à beira do colapso total”, declarou. 

O representante do Unicef lembra que a crise humanitária do Iêmen é a pior do mundo, representada por quatro ameaças: conflito violento, crise econômica, serviços de saúde, água, saneamento, educação e nutrição que não funcionam e falta de financiamento para as operações da ONU no país. 

James Elder aproveitou para partilhar mais números: 11 milhões de crianças iemenitas precisam receber assistência humanitária; 400 mil crianças sofrem de desnutrição severa e mais de 2 milhões estão fora da escola.

Uma mãe no Iêmen leva a filha de 1,5 ano para ser tratada por desnutrição
Foto: © UNICEF/Saleh Hayyan
Uma mãe no Iêmen leva a filha de 1,5 ano para ser tratada por desnutrição

Professores não recebem há quatro anos 

Dois terços dos professores do Iêmen estão sem receber salários regularmente há mais de quatro anos. A violência já deixou ainda 1,7 milhão de crianças desalojadas e mais de 15 milhões de pessoas estão sem acesso à água potável, serviços de saneamento e de higiene. 

O Unicef destaca que sem um fim à vista dos conflitos e sem financiamento para as suas operações no país, não é possível levar ajuda a todas as crianças. O porta-voz James Elder foi claro: “sem maior apoio internacional, mais crianças vão morrer.”

Os funcionários da agência no Iêmen fornecem tratamento de nutrição para crianças, transferências emergenciais de dinheiro para 1,5 milhão de famílias, água potável para mais de 5 milhões de pessoas e também ajudam na distribuição de vacinas contra a Covid-19. 

Crianças deslocadas por causa da violência chegam a 1,7 milhão no Iêmen
PMA/Mohammed Awadh
Crianças deslocadas por causa da violência chegam a 1,7 milhão no Iêmen

Apelo por apoio internacional 

Apesar de todos esses esforços, a crise humanitária é muito grande. A economia do Iêmen está em uma condição crítica: o PIB caiu 40% desde 2015. Muitas pessoas perderam o emprego e funcionários públicos de vários setores, como professores, engenheiros, médicos e professores, não recebem salários de forma regular. 

O Unicef precisa, com urgência, de US$ 235 milhões para continuar seu trabalho no país até meados de 2022. 
 

 

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