Após sete anos de conflito no Iêmen, civis continuam vivendo em situação terrível
BR

11 outubro 2021

Coordenador Humanitário da ONU no país faz um balanço e alerta que condições podem piorar; 20 milhões de pessoas dependem de assistência básica e 4 milhões estão desalojadas; crise conta com 16 milhões sem o suficiente para comer. 

 

O coordenador humanitário da ONU para o Iêmen fez um balanço, esta segunda-feira, das condições no país. Em Genebra, David Gressly destacou que depois de sete anos de conflito, a “situação continua terrível para os iemenitas e ainda pode piorar”. 

Segundo ele, 16 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar, sendo que 5 milhões estão a poucos passos da fome. Quase 400 mil crianças estão em risco iminente de morte por desnutrição.  

Deslocados internos  

Crianças deslocadas por causa da violência chegam a 1,7 milhão no Iêmen
PMA/Mohammed Awadh
Crianças deslocadas por causa da violência chegam a 1,7 milhão no Iêmen

Gressly explicou ainda que mais de 20 milhões de civis no Iêmen precisam receber assistência básica para sobreviver. O total representa quase 70% da população. O conflito fez com que 4 milhões de pessoas abandonassem suas casas. 

O aumento dos confrontos em Marib, por exemplo, tem causado mais deslocamento e mortes. O representante do Ocha disse que viajou por várias áreas do país desde março e pôde ver de perto as consequências da guerra, incluindo escolas que foram bombardeadas, fábricas que já não funcionam e sistemas de distribuição de água em colapso.  

Consequências crueis  

Idosa leva água para sua tenda em um campo de deslocados no norte do Iêmen, perto da fronteira com a Arábia Saudita
Ocha/Giles Clarke
Idosa leva água para sua tenda em um campo de deslocados no norte do Iêmen, perto da fronteira com a Arábia Saudita

David Gressly afirma que a situação é “desesperadora” – mães com crianças completamente desnutridas, famílias sem água potável, agricultores cujas terras estão cheias de munições que não explodiram.  

O coordenador humanitário para o Iêmen destaca que as consequências do colapso econômico são cruéis. Sem trabalho, as pessoas não têm dinheiro para comprar comida e assim, passam fome.  

Gressly disse que durante seu tempo no país, ouviu histórias tristes de muitos civis, incluindo de mães que não conseguem alimentar seus filhos ou de grávidas que estão sem acesso a centros de saúde.  

Doação financeira  

O coordenador humanitário do Ocha afirmou ser possível mudar o paradigma da crise iemenita e sugeriu apoio em três frentes priorizando o apoio à resposta humanitária ao país. 

Outras prioridades são ajudar o Iêmen a reabrir a economia, com a recuperação de negócios e a garantia de salários aos trabalhadores civis; e um forte apoio a um processo político inclusivo que leve à resolução pacífica da crise.  

No mês passado, a comunidade internacional se comprometeu a doar US$ 600 milhões para os trabalhos humanitários no Iêmen. O representante do Ocha destaca que se o dinheiro chegar a tempo, será possível continuar a fornecer assistência alimentar até o fim do ano.  

 

 

 

 

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