Iêmen: conflitos deixam 10 mil crianças mortas ou mutiladas
BR

16 novembro 2021

Porta-voz do Unicef, James Elder, considera número uma “marca vergonhosa”; ele revelou outros dados alarmantes no Iêmen sobre a situação dos menores; segundo Elder, sem a ajuda necessária, número de vítimas deve seguir subindo

O porta-voz do Unicef, James Elder, afirmou que o conflito no Iêmen acaba de atingir outra marca vergonhosa. Ele informou que 10 mil crianças foram mortas ou mutiladas desde o início dos combates, em março de 2015. O número é o equivalente a quatro menores todos os dias.

Elder explicou que esses são apenas os casos que as Nações Unidas foram capazes de verificar, afirmando que o número pode estar subestimado.

Entre as mais de 11 milhões de crianças no Iêmen, quatro em cada cinco precisam de assistência humanitária
UNOCHA/Giles Clarke
Entre as mais de 11 milhões de crianças no Iêmen, quatro em cada cinco precisam de assistência humanitária

Testemunho

O porta-voz foi ao Iêmen e relatou que profissionais de diversas áreas compartilharam histórias indicando que o país está à beira de um colapso total.

Ele lembrou que a crise humanitária do Iêmen, tida como a pior do mundo, é agravada pelo longo período de conflitos, uma economia arrasada, serviços de infraestrutura destruídos e uma resposta da ONU prejudicada pela falta de dinheiro.

Pai e filho caminham por um campo de deslocados internos perto da cidade de Marib, no Iêmen
© PMA/Annabel Symington
Pai e filho caminham por um campo de deslocados internos perto da cidade de Marib, no Iêmen

Dados

Entre as mais de 11 milhões de crianças no país, quatro em cada cinco precisam de assistência humanitária e 400 mil sofrem de desnutrição aguda grave

Estima-se também que mais de 2 milhões de menores estejam fora da escola. Outros 4 milhões correm risco de evasão. Dois terços dos professores, ou mais de 170 mil profissionais, não recebem um salário regular há mais de quatro anos.

O Unicef estima que 1,7 milhão de crianças estão deslocadas internamente por causa da violência. À medida que os conflitos se intensificam, mais famílias estão fugindo de suas casas.

Um total de 15 milhões de pessoas não têm acesso a água potável, saneamento ou higiene. Mais da metade são crianças, de acordo com o Fundo.

O Unicef afirma que com os atuais níveis de financiamento e sem o fim dos combates, não é possível ajudar todas essas crianças. Assim, James Elder alerta que, sem mais apoio internacional, o número de menores vítimas dos conflitos seguirá crescendo. 
 

 

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