ONU condena ataques simultâneos no Níger que mataram mais de 100 pessoas
BR

4 janeiro 2021

Em nota, secretário-geral disse esperar que autoridades do país não poupem esforços para punir os responsáveis; Agência para Refugiados, Acnur, informa que mais de 1 mil pessoas estão escapando da violência, muitas a pé, após atentados de sábado.

As Nações Unidas condenaram com veemência ataques simultâneos em dois vilarejos do Níger, que mataram mais de 100 pessoas e feriram dezenas.

Homens armados invadiram duas localidades da região de Tillabéri, que fica na fronteira com o Mali.

© Unicef/Juan Haro
No Níger, ataques a civis por grupos armados e operações militares têm aumentado. Fechamento de fronteiras e outras medidas de contenção do Covid-19 tornaram grupos específicos vulneráveis

Motocicletas

Segundo agências de notícias, grupos terroristas islâmicos atuam na área. Testemunhas contaram que os autores do atentando chegaram em motocicletas atirando a esmo.

Em nota, o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “profundas condolências” às famílias das vítimas, ao povo e ao governo do Níger, e desejou uma pronta recuperação aos feridos. Ele disse esperar que as autoridades não poupem esforços para levar os responsáveis à justiça. Guterres reafirmou o compromisso e a solidariedade da ONU com o Níger na luta contra o terrorismo, o extremismo violento e o crime organizado.

PMA/Rein Skullerud
Violência no Níger tem deslocado dezenas de milhares de pessoas

A pé

Em comunicado, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, condenou os ataques simultâneos e disse que mais de 1 mil pessoas estão fugindo dos vilarejos por causa da violência, muitas a pé.

Alguns dos feridos graves foram evacuados para a capital do país, Niamey.

O Acnur lembrou que a violência no Níger tem deslocado dezenas de milhares de pessoas.

A agência está preparando abrigos, cuidados e proteção além de apoio psicológico para as vítimas. As regiões de Tillabéri e Tahoua, no Níger, estão próximas de Liptako-Gourma, que faz fronteira com Burkina Fasso e com Mali. Atualmente, a área abriga 60 mil refugiados do Mali e quase 40 mil que fugiram da violência em Burkina Fasso.

Ocha/Eve Sabbagh
Duas mulheres deslocadas sentadas em um acampamento em Awaradi, Níger.

Pandemia

Com a pandemia da Covid-19, a resposta humanitária tem ficado mais difícil.  Apesar do aumento da insegurança o povo do Níger continua demonstrando solidariedade aos que fogem da violência nas regiões do Sahel e do Lago Chade.

Mali, Burkina Fasso e Níger estão no epicentro de uma das maiores crises de deslocamento de civis e uma das que crescem mais rapidamente.O local já briga 851 mil refugiados e quase 2 milhões de deslocados dentro do próprio país.
 

 

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