Covid-19 agrava índices de fome severa em países vulneráveis, diz estudo
BR

16 setembro 2020

Relatório sobre relação da pandemia com insegurança alimentar é publicado às vésperas dos debates da Assembleia Geral; parceiros internacionais e atores relevantes analisaram situação em países que já sofriam com escassez de comida antes da crise.

A República Democrática do Congo, RD Congo, atravessa a maior crise alimentar do mundo com 21,8 milhões de pessoas vivendo em situação de insegurança alimentar aguda. A informação consta do Relatório da Rede Global Contra Crise Alimentar.

Burkina Fasso figura entre os países com pior índice de deterioração da fome nos últimos meses. Foto: Ocha/Giles Clarke

Efeitos Colaterais

O documento analista os efeitos colaterais da Covid-19 sobre a fome severa em países que já sofriam de crise alimentar antes da pandemia.  Na reunião que divulgou o relatório, os participantes analisaram as prioridades emergentes e o financiamento, entre outros temas.

As medidas restritivas da Covid-19 estariam agravando os vetores da fome como: a insegurança e conflito armado, demorada depressão econômica, fortes chuvas e inundação na RD Congo entre outros.

O subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, afirmou que uma ação atempada pode prevenir que a maior crise alimentar mundial em 50 anos se torne um problema ainda maior.

Iniciativa Global

Burkina Fasso figura entre os países com pior índice de deterioração da fome nos últimos meses.  Ali houve um aumento de 300% no número de pessoas passando fome.  Já na Nigéria, são 8,7 milhões de pessoas na mesma situação, que afeta ainda a Somália, o Sudão e mais da meta da população na República Centro-Africana.

O relatório fornece uma atualização sobre 55 países, este ano, e que já estariam em situação de crise alimentar desde 2019. 

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, Qu Dongyou, defendeu uma intervenção focalizada na prevenção, nos sistemas de alerta precoce e ações. Ele realçou ainda a importância da recolha de dados e a “diferenciação global”, base da iniciativa denominada “de mãos dadas”.

© Unicef/Ashley Gilbertson
Cerca de 7,8 milhões de nigerianos enfrentem necessidade extrema e precisem de assistência imediata.

Transformação

A FAO inclui a recém-lançada Plataforma Aerospacial de coleção de dados e visa desenvolver parcerias entre as nações desenvolvidas e os países mais carentes. A ideia é estimular o sistema de transformação agroalimentar e o desenvolvimento rural sustentável.

A agência lançou também o Programa de Recuperação e Resposta Abrangente à Covid-19 para apoiar os países e agricultores a resolverem os desafios relacionados à alimentação e à agricultura e a protegerem-se melhor da pandemia. O foco é mitigar os impactos imediatos da Covid-19 e fortalecer a resiliência dos sistemas de alimentação e sustento a longo prazo.

O apoio aos mais vulneráveis através da promoção da inclusão económica e proteção social, e o aumentar da resiliência dos pequenos produtores são as principais prioridades do programa.
 

 

 

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