Número de pessoas à beira da fome no Sahel aumenta 10 vezes
BR

17 fevereiro 2022

Chefe do Programa Mundial de Alimentos visitou região africana e destacou que situação piorou nos últimos três anos, sendo que total de deslocados subiu quase 400%; David Beasley alerta para uma das piores secas e “terrível crise alimentar”. 

O número de pessoas à beira da fome na região africana da Sahel aumentou quase 10 vezes nos últimos três anos, sendo que no mesmo período, o total de deslocados subiu 400%. 

Os dados foram apresentados pelo diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos, PMA. David Beasley visitou esta semana as operações da agência no Benin, Níger e Chade.

Crise econômica 

 Amarcia é uma das 1,5 milhões de pessoas que foram deslocadas no Níger devido ao conflito na região central do Sahel
OIM/Monica Chiriac
Amarcia é uma das 1,5 milhões de pessoas que foram deslocadas no Níger devido ao conflito na região central do Sahel

Ele declarou que a região ao sul do deserto do Saara enfrenta uma “terrível crise alimentar”, agrava por uma das piores secas dos últimos tempos. Segundo Beasley, 10,5 milhões de civis correm risco de ficar sem comida em cinco países: Burkina Fasso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger. 

Além do fator climático, a crise alimentar é influenciada pela insegurança, aumento da pobreza devido à pandemia de Covid-19 e um subida dramática no preço dos alimentos básicos. 

O chefe do PMA contou que conversou com famílias que “passaram por muito mais do que se possa imaginar”, sendo expulsas de suas casas por grupos extremistas, passando fome devido à seca e enfrentando crise econômica e os efeitos da Covid-19.

Financiamento é urgente 

David Beasley é diretor do PMA.
PMA/Ziad Rizkallah
David Beasley é diretor do PMA.

Segundo David Beasley, a agência está ficando sem fundos e “essas pessoas estão perdendo a esperança.” As necessidades na região são muitas, porém os recursos para apoiar os mais vulneráveis estão acabando, colocando o PMA na difícil posição de alimentar apenas aqueles que estão extremamente famintos. 

A agência da ONU está precisando de US$ 470 milhões para poder continuar suas operações no Sahel pelos próximos seis meses. Apesar de todos os desafios, PMA e parceiros humanitários conseguiram entregar, em 2021, assistência vital a 9,3 milhões de pessoas nos cinco países. 

O PMA também implementa projetos de resiliência para ajudar as famílias. Nos últimos três anos, 270 mil acres de terras nos cinco países do Sahel foram transformados em terras de cultivo ou de pasto, mudando as vidas de 2,5 milhões de pessoas. Já no Benin, onde conflitos em países vizinhos são uma ameaça, o programa de merenda escolar do governo, implementado com o PMA, fornece refeições nutritivas para 700 mil crianças. 
 
 

 

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