Mais de 20 mil civis mortos ou feridos em 10 conflitos no ano passado
BR

27 maio 2020

Conselho de segurança debate esta quarta-feira proteção de civis em zonas de conflito; secretário-geral apresentou conclusões de relatório sobre o tema, dizendo que houve pouco progresso e perspectivas são sombrias; dezenas de milhares de crianças forçadas a participar de combates.

Em 2019, mais de 20 mil civis foram mortos ou feridos em 10 conflitos do Afeganistão ao Iêmen. O número inclui apenas incidentes verificados pela ONU e representa uma fração do total.

A informação foi dada ao Conselho de Segurança, nesta quarta-feira, pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, durante um debate dedicado à proteção de civis em zonas de conflito.

Conclusões

O relatório mostra pouco progresso na proteção de civis e no cumprimento do direito internacional. Além disso, Guterres afirmou que “as perspectivas são sombrias.”

Em 2019, pelo nono ano consecutivo, 90% dos mortos por explosivos em áreas povoadas eram civis. Dezenas de milhares de crianças foram forçadas a participar nos conflitos.

Milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas. E no final de 2019, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha processou cerca de 140 mil pedidos de famílias de pessoas desaparecidas.

Segundo Guterres, mulheres e meninas “foram submetidas a níveis assustadores de violência sexual e de gênero.” Além disso, sofreram vítimas de ataques, intimidação, sequestro, casamento forçado e restrições de movimento. Pessoas com deficiência também tiveram um impacto desproporcional.

O conflito continua sendo a principal causa de fome em todo o mundo. Nesse momento, cerca de 135 milhões de pessoas vivem com insegurança alimentar, mais da metade em países afetados por conflitos. A ONU prevê um “aumento acentuado” devido à Covid-19.

O chefe da ONU destacou a dificuldade da resposta. Segundo ele, ao longo do ano, “o acesso humanitário foi dificultado pela violência, insegurança e impedimentos burocráticos, muitas vezes violando o direito internacional humanitário.”

No Afeganistão, 32 trabalhadores humanitários foram mortos, 52 feridos e 532 sequestrados. No Iêmen, houve quase 400 incidentes de violência contra pessoal e bens humanitários.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS, 199 profissionais de saúde foram mortos em mais de mil ataques. Para Guterres, este é “um aumento chocante” face às 794 mortes verificadas em 2018.

Pandemia

Ele alertou para as consequências da pandemia de Covid-19. O acesso a serviços e segurança está sendo reduzido e alguns líderes usam a crise para adotar medidas repressivas.

Guterres lembrou o seu apelo por um cessar-fogo global dizendo que recebeu muito apoio, mas essa solidariedade “não foi traduzida em ações concretas.”

Para o secretário-geral, as operações de manutenção da paz da ONU são um dos meios mais eficazes de proteger estes civis. Destacando as missões na Líbia, República Democrática do Congo, República Centro-Africana e Mali, ele disse que os boinas-azuis estão apoiando as autoridades nacionais na resposta à pandemia, protegendo profissionais de saúde e facilitando a entrega de resposta humanitária.

Boinas-azuis espanhois em patrulha em Kafar Kela, no sul do Líbano, Unfil/ Pasqual Gorriz

Propostas

O relatório do secretário-geral descreve quatro passos para melhorar a proteção de civis em todo o mundo.

Primeiro, os Estados-membros devem repensar as estratégias usadas em áreas urbanas. Segundo, reforçar a autoridade do direito internacional sobre o uso de drones armados. Terceiro, controlar o uso de sistemas letais de armas autônomas. Por fim, combater o uso da tecnologia digital para realizar ataques cibernéticos em infraestrutura civil.

Sobre este último tema, Guterres disse que vários países relataram um aumento de ataques cibernéticos em unidades de saúde durante a pandemia de Covid-19.

Além do secretário-geral, participaram o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Peter Maurer, a ex-presidenteda Libéria e ganhadora do Nobel da Paz, Ellen Johnson Sirleaf, e a chefe de Estado da Estônia, que ocupa a presidência rotativa do Conselho de Segurança, Kersti Kaljulaid.

 

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