FAO: Após alta em dezembro, preço de alimentos ultrapassa marca de cinco anos
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9 janeiro 2020

Índice de Preços dos Alimentos, divulgado por agência da ONU, é o mais alto desde final de 2014; valor está 2,5% acima da marca de novembro; medição aponta influência do Brasil nas categorias alimentares de carnes e açúcar.

Os preços mundiais de alimentos subiram pelo terceiro mês consecutivo em dezembro, atingindo o valor mais alto em cinco anos.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, revelou esta quinta-feira que o Índice de Preços dos Alimentos chegou a 181,7 pontos. O valor é o maior desde dezembro de 2014 e ficou 2,5% acima do mês anterior.

Brasil é mencionado, pela primeira vez, na categoria de carnes após a disparada no preço do produto.  Foto: FAO/Carly Learson

Cereais

Os dados refletem a variação mensal de custos alimentares nas categorias de cereais, oleaginosas, laticínios, carnes e açúcar.

De acordo com a FAO, entre os fatores que ditaram a situação estão a subida do custo de óleos vegetais, do açúcar e dos laticínios, além da recuperação dos preços dos cereais.

O Brasil é mencionado, pela primeira vez, na categoria de carnes após a disparada no preço do produto. Na época festiva houve maior procura da carne de porco no país, tal como na União Europeia, após a disparada no preço da carne bovina. Mas o que mais ditou a subida do preço da carne nesse período foi o aumento da demanda de importação do produto na Ásia.

Durante todo o ano de 2019, o índice atingiu uma média de 171,5 pontos, refletindo um aumento de cerca de 1,8% em relação a 2018. No entanto, esse valor está abaixo do recorde de 230 pontos que foi alcançado em 2011.

Mercado Global

A influência brasileira também é destaque no Índice por causa da subida da produção do etanol a partir da cana-de-açúcar em usinas nacionais. Essa situação tornou o produto menos disponível no mercado global.

No geral, o valor do açúcar subiu 4,8% no mercado internacional, após a alta dos preços do petróleo e a contínua desvalorização do real em relação ao dólar norte-americano. De acordo com a FAO, esse aumento só não foi maior devido à expectativa de melhores colheitas na Índia.

Durante o último mês de 2019, o preço dos cereais subiu 1,4% impulsionado pela alta dos custos de trigo com a maior demanda da China e questões logísticas a sequência de greves na França. A variação do custo do arroz foi ligeira.

Foto: FAO/Pius Utomi Ekpei
Influência brasileira também é destaque no Índice por causa da subida da produção do etanol a partir da cana-de-açúcar em usinas nacionais.

Óleos e Laticínios

A FAO aponta uma grande subida observada nos valor do óleo vegetal que atingiram 9,4%, em dezembro. Os custos do óleo de palma subiram pelo quinto mês consecutivo com a demanda global de biodiesel. A soja, o girassol e o óleo de colza também tiveram uma subida de preço.

Em relação aos laticínios, o custo aumentou 3,3% com a valorização de custos de produtos como queijo e leite em pó desnatado. Este aumento foi maior que o registrado na manteiga e no leite em pó integral.

 

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