Preço dos alimentos dispara em janeiro e é o mais alto desde maio de 2018
BR

6 fevereiro 2020

FAO diz que Brasil teve influência no aumento do custo do açúcar; agência alerta para baixa da produção de milho no país; índice de preços em janeiro foi o mais alto em mais de 20 meses; recorde de 2,7 bilhões de toneladas na produção de cereais este ano.

O custo dos alimentos subiu pelo quarto mês consecutivo no mundo, segundo o Índice de Preços de Alimentos publicado esta quinta-feira pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO.

A agência indica que fatores como o aumento do valor das oleaginosas, do açúcar e do trigo fizeram disparar o preço da comida em 2,9% em janeiro.

Brasil é mencionado no informe pelo impacto da desvalorização da moeda, o real, que afetou a produção do açúcar. Foto: OMS/Christopher Black

Custo

O informe revela uma média mensal de 182,5 pontos da variação de preços de cereais, oleaginosas, laticínios, carnes e açúcar. A subida equivale a 0,7% em relação a dezembro.

O valor do índice dos alimentos de janeiro é o mais alto registrado desde maio de 2018, após o aumento dos preços de todos os cereais de referência, principalmente o trigo.

O Brasil é mencionado no informe pelo impacto da desvalorização da moeda, o real, que afetou a produção do açúcar. A recente queda global dos preços do petróleo baixou a demanda pela cana-de-açúcar para a produção de etanol.

Laticínios

O custo agregado dos óleos vegetais subiu 7 % atingindo um recorde de três anos, com a alta dos preços dos óleos de palma, soja, girassol e colza. A FAO destaca ainda que no grupo de laticínios a subida foi de 0,9%.

No entanto, os preços da carne caíram 4,0%, após um aumento verificado em 11 meses consecutivos com a baixa da procura em mercados como a China e o Extremo Oriente.

A FAO também divulgou uma nova previsão para a produção mundial de cereais, apontando para um recorde de 2,7 bilhões de toneladas este ano.

Banco Mundial/Scott Wallace
Brasil também foi citado pelo ritmo lento da colheita da soja que levou a atrasos na plantação do milho.

Brasil e Argentina

Nesta análise, o Brasil volta a ser citado pelo ritmo lento da colheita da soja que levou a atrasos na plantação do milho. Um cenário oposto deve ocorrer na vizinha Argentina após fatores como chuvas favoráveis, expansão de áreas de cultivo, alta de preços locais e fortes perspectivas de exportação.

A agência destaca que em 2019 a colheita global de cereais esteja cerca de 2,3% mais alta em relação à safra do ano anterior.

Este mês, as previsões da produção continuam praticamente inalteradas em relação a dezembro. No último mês de 2019 a revisão feita em relação à produção de trigo e arroz foi mais baixa, mas houve ajustes considerando a alta do milho e da cevada.

 

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