América Latina entra em nova fase de crescimento frágil, diz Banco Mundial
BR

10 outubro 2019

Novo relatório do economista-chefe para a região também analisa possíveis impactos de acordos e tensões comerciais; economia do Brasil terá crescimento de 0,9% este ano e de 2% em 2020; na próxima semana, Banco Mundial e FMI realizam seus encontros anuais.*

O Banco Mundial revisou, nesta quinta-feira, as previsões de crescimento econômico para o Brasil e a região da América Latina e Caribe.

No Brasil, a economia deve crescer 0,9% em 2019 e 2% em 2020. Na América Latina e Caribe, excluindo a Venezuela, a economia crescerá 0,8% neste ano e deverá aumentar 1,8% no próximo. As informações vêm do relatório semestral do economista-chefe para a região, Martin Rama.

No Brasil, a economia deve crescer 0,9% em 2019 e 2% em 2020. Foto: Divulgação / Prefeitura de Santos

Demanda

Segundo o documento, lançado em Washington, a região entrou numa nova fase de desempenho econômico frágil. As exportações estão relativamente fracas e os espaços fiscais limitados deixam pouco fôlego para estimular a demanda doméstica.

Uma nova escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China pode piorar as perspectivas para toda a região, embora alguns países e grupos tenham se beneficiado disso.

Por exemplo, os produtores brasileiros de soja que exportam para o país asiático estão conquistando o espaço dos norte-americanos. Já o México ultrapassou a China como o principal parceiro comercial dos Estados Unidos.

Mercosul – União Europeia

O novo relatório do Banco Mundial informa que a América Latina e o Caribe podem ter crescimento econômico mais forte se aumentarem a integração às cadeias de valor internacionais.

Historicamente, a região se concentrou em acordos comerciais intrarregionais, e não nos globais, que aumentam a complexidade econômica dos países em desenvolvimento. De acordo com o estudo, os acordos Sul-Norte tendem a trazer impactos significativos no crescimento.

Mesmo assim, o relatório analisa com cautela o acordo entre Mercosul e União Europeia, cujas negociações foram concluídas em junho. Embora possa haver um efeito geral positivo significativo no crescimento, o acordo não deve trazer mudanças drásticas na maioria dos setores e no emprego.

Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que formam o Mercosul, devem crescer em produção agrícola e pecuária.  

Na próxima semana, o Banco Mundial realiza suas reuniões anuais com o Fundo Monetário Internacional, FMI, para discutir esses e outros temas relevantes para o desenvolvimento.

Unep Grid Arendal/Riccardo Pravettoni
Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que formam o Mercosul, devem crescer em produção agrícola e pecuária.

 

*Mariana Ceratti, do Banco Mundial Brasil

 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Banco Mundial: Brasil tem boa oportunidade de reformar funcionalismo público

Novo estudo analisa dados do governo federal e propõe mudanças para reduzir as diferenças salariais entre os setores público e privado para tornar os serviços públicos mais eficientes.*

Nova chefe do FMI assume com crescimento lento em 90% do mundo

Kristalina Georgieva fez primeiro discurso após tomar posse no cargo de diretora-gerente da organização, na semana passada; ela substituiu Christine Lagarde; Brasil e Índia terão desaquecimento pronunciado em 2019; Alemanha e EUA têm níveis baixos de desemprego.