ONU apoia reconstrução dos principais portos marítimos no Iémen

15 maio 2019

Especialistas do Pnud vão apoiar recuperação de infraestruturas; mais de 4 mil pessoas serão empregadas em projetos de obras públicas; enviado especial diz ao Conselho e Segurança que Iémen “permanece na encruzilhada entre guerra e paz.”

O enviado especial do secretário-geral da ONU para o Iémen, Martin Griffiths, informou o Conselho de Segurança que as forças rebeldes houthis “realizaram uma mobilização inicial de forças dos portos de Hodeida, Saleef e Ras Issa sob a monitorização da ONU.”

A retirada estava prevista no acordo assinado em dezembro passado em Estocolmo, na Suécia, entre as partes do conflito.

Apoio

Griffiths explicou ainda que “a partir deste sábado, mais de 4 mil pessoas em Hodeida serão empregadas em projetos de obras públicas.”Foto ONU/ Manuel Elias

Griffiths informou também que a Missão da ONU de Apoio ao Acordo de Hodeida, Unmha, acompanhou estas operações e confirmou que as forças militares do grupo rebelde “já deixaram os três portos: Hodeida, Saleef e Ras Issa.”

O representante informou que agora a ONU está pronta a ajudar a melhorar a produtividade e a eficiência do porto de Hodeida, o mais importante do país.

Especialistas do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud,  devem instalar luzes de navegação, ajudando os navios a atracar com segurança, consertar a torre de vigia e desmantelar o perímetro externo da instalação portuária.

Griffiths explicou ainda que “a partir deste sábado, mais de 4 mil pessoas em Hodeida serão empregadas em projetos de obras públicas.”

Implementação

Apesar destes avanços, o enviado especial admite “que a implementação deste acordo não é fácil”.  Griffiths sublinha que “com o compromisso contínuo das partes, o apoio rápido e determinante do Conselho de Segurança e a administração da Unmha, assiste-se “ao primeiro passo concreto para a implementação do Acordo de Hodeida.”

No entanto, o enviado destaca que estes passos devem ser seguidos “por ações concretas das partes para cumprir as suas obrigações ao abrigo do acordo de Estocolmo.”

Para tal, “elas devem assegurar que a implementação das etapas subsequentes” seja monitorizada e coordenada pela ONU.

Ao Conselho de Segurança o representante afirmou que apesar destes avanços, “o Iémen permanece na encruzilhada entre guerra e paz.”

Preocupações

O cessar-fogo tem sido respeitado em Hodeida mas assiste-se à “alarmante” intensificação do conflito em outras partes do país. Ele apontou “a escalada da violência em Al-Dali, que é um desenvolvimento preocupante para o processo de paz e tem exacerbado as tensões no sul.”

Griffiths terminou a sua intervenção dizendo que os progressos assinalados devem permitir agora “a retomada da transição política” para “uma solução abrangente” que proporcione ao Iémen uma paz sustentável.

Para tal, acrescentou, é hora das partes iniciarem estas negociações o mais rapidamente possível, desejavelmente, com a participação de “uma ampla gama de iemenitas”, nomeadamente “a inclusão de mulheres.”

 

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