Ataque a moinhos do Mar Vermelho não deixou mortos

10 maio 2019

PMA condena ato que considera inaceitável quando milhões de pessoas passam fome no Iêmen; luso-brasileira que trabalha na área conta os desafios para garantir  distribuição de ajuda básica, incluindo água e comida.

As Nações Unidas anunciaram esta sexta-feira que os moinhos do Mar Vermelho, perto da cidade portuária iemenota de Hodeida, foram atingidos por tiros. De acordo com o  Programa Mundial de Alimentação, PMA, não houve mortos e feridos entre os funcionários que atuam no local.

Em nota, emitida em Genebra, a agência  revela ainda que ainda deverá confirmar se houve danos no trigo guardado na área que agora está calma e onde foram retomadas as operações na sequência do incidente de quinta-feira.

Sílvia Carvalho destacou a importância da operação destes silos para a população iemenita.

Reservas 

O PMA destaca ainda que é inaceitável “qualquer dano causado às reservas  de alimentos para ajuda humanitária, que foram alvos deliberados ou tiveram danos colaterais, quando milhões de pessoas continuam sofrendo com a falta de alimentos” no Iêmen.

Antes do ataque, a ONU News conversou com a responsável pela logística na Missão de Verificação das Nações Unidas no Iêmen. Em Nova Iorque, Sílvia Carvalho destacou a importância da operação destes silos para a população iemenita.

Veja aqui a entrevistas completa!

Plataforma

“Acontece que os rebeldes houthis ocuparam os portos de entrada no Iêmen. O principal é o porto de Hodeida. Hoje temos um país dividido e, justamente, a missão da ONU, pelo facto de não haver a abertura dos portos para  a entrada de ajuda humanitária ou haver uma muito limitada, conta com algumas agências da ONU lá. Tudo é muito limitado, muito pouco flexível, há uma grande necessidade de uma plataforma política bem estabelecida e isso é o que a ONU está a fazer.”

Agências humanitárias perderam acesso aos moinhos do mar Vermelho no início de setembro de 2018, quando cerca de 51 mil toneladas de trigo estavam armazenadas.

Carvalho fala da maior preocupação da ONU e de entidades como o PMA, o Escritório da ONU de Assistência Humanitária, Ocha, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud.

 “O facto de nos portos não haverem rotas de acesso para ajuda humanitária está a criar todos os problemas de distribuição de suporte à vida. Portanto, água e comida. No exemplo dos moinhos do Mar Vermelho cheio de grãos suficientes para atender, por um mês, cerca de 4 milhões de pessoas, estão fechados. Agora correm o risco de deteriorar-se. Uma das grandes missões da plataforma política é justamente o acesso aos moinhos que contêm esses grãos, para ver se a gente consegue permitir todo esse apoio.”

Ocha/Giles Clarke
Edifício danificado em Hodeida, no Iêmen.

Equipamento

Nos silos do Mar Vermelho atua um grupo de técnicos limpando e fazendo a reparação do equipamento. Quando forem retomadas as atividades poderá também iniciar a distribuição do trigo pelas populações necessitadas.

Mais trabalhadores e especialistas devem chegar nos próximos dias com suprimentos para os trabalhadores nos silos. O PMA precisa de um acesso seguro e contínuo aos moinhos situados “perto de áreas fronteiriças sensíveis”.

Uma avaliação realizada após a primeira entrada da agência na área, em finais de fevereiro, concluiu que cerca de 70% do trigo ainda pode ser aproveitado para o consumo. 

 

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