Agências da ONU ajudaram mais de 5 mil venezuelanos a encontrar novos locais para viver no Brasil
BR

15 março 2019

Iniciativa de realocação voluntária começou em abril de 2018 e envolve 50 cidades diferentes em todo o país; programa quer ajudar a reduzir pressão sobre as comunidades de acolhimento no norte do Brasil.

Segundo dados oficiais, o Brasil recebeu mais de 200 mil venezuelanos desde 2017. Destes, cerca de 85 mil apresentaram pedidos de asilo e aproximadamente 40 mil receberam visto de residente temporário.

Durante uma conferência de imprensa em Genebra, o porta-voz da Agência de Refugiados das Nações Unidas, Acnur, Babar Baloch, informou também que mais de 5 mil venezuelanos foram transferidos no país.

Venezuelanos chegando em Manaus, no Brasil, by Foto: César Nogueira/ Acnur Brasil

Voos

Através de um programa inovador de realocação interna, apoiado pelo Acnur, pela sociedade civil e outras agências da ONU, os beneficiários foram transferidos do estado de Roraima, no norte do Brasil, para outros 17 estados.

Baloch destacou que os venezuelanos “deixaram a hiperinflação, a escassez e a instabilidade política e buscaram segurança no Brasil, a maioria fazendo a travessia por terra”.

O porta-voz explicou que “os voos têm como objetivo reduzir a população flutuante nas regiões fronteiriças, onde muitos venezuelanos vivem nas ruas e em albergues, com oportunidades limitadas”.

Roraima

Na quarta-feira, um avião da Força Aérea Brasileira, FAB, decolou com 225 venezuelanos de Boa Vista, capital do Estado de Roraima, que fica a cerca de 200 quilômetros da fronteira com a Venezuela.

Os refugiados e migrantes escolheram ir para 13 cidades diferentes no Brasil. Baloch acrescentou que mais voos estão programados para as próximas semanas.

A iniciativa de realocação voluntária começou em abril de 2018 e agora envolve 50 cidades diferentes em todo o país. O porta-voz apontou que o programa foi criado para “reduzir a pressão sobre as comunidades de acolhimento no norte do Brasil, onde refugiados e migrantes chegaram ao deixarem a Venezuela, obrigados a fugir de seu país devido à difícil situação socioeconômica, direitos humanos e política.”

Integração

O Acnur apoia a implementação e coordenação da iniciativa, identificando, principalmente, os beneficiários elegíveis entre os moradores de abrigos temporários em Boa Vista. A agência também garante que as pessoas tenham a documentação necessária para viagens.

Baloch acrescentou que o programa, implementado em coordenação com o governo, a sociedade civil, o setor privado e outras agências da ONU com base no Pacto Global sobre Refugiados, está “criando novas oportunidades de integração local para refugiados e migrantes venezuelanos em outras partes do Brasil.

Outras modalidades incluem o reagrupamento familiar e um programa de oportunidades de emprego em que refugiados e migrantes em Roraima são selecionados antecipadamente por empresas privadas e recebem emprego em outros estados.

O Acnur está ajudando os participantes com apoio para aluguel de imóveis e despesas domésticas.

Além  do Acnur, a iniciativa também tem a participação da Organização Internacional para Migrações, OIM, do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud. 

 

 

 

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