Somália está mais perto da paz duradoura, diz representante especial da ONU

3 janeiro 2019

Nicholas Haysom fez ponto de situação sobre a situação do país ao Conselho de Segurança; grupo Al-Shabaab continua a ser a maior fonte de insegurança; país cria Comissão Nacional Independente de Direitos Humanos.

O representante especial do secretário-geral da ONU para a Somália, Nicholas Haysom, disse ao Conselho de Segurança, esta quinta-feira, que o país está agora mais preparado para fazer progressos rumo a uma paz duradoura.

Haysom partilhou que a gestão das próximas eleições regionais em 2019 e os demais processos políticos, incluindo a revisão da Constituição, “determinarão se a Somália fará mais progressos ou não."

Instabilidade

O país também atravessa uma crise humanitária, prejudicada pela seca, by Pnud Somalia/Said Isse

O representante, que assumiu o cargo a 3 de outubro, destacou que a Somália tem mantido "uma trajetória positiva", mas lembrou que uma persistente agitação política pode perturbar o processo.

Ele disse que "a política é complexa em qualquer país, mas em um país que ainda estabelece padrões, parâmetros institucionais e continua a debater os papéis e responsabilidades de suas respetivas estruturas de governação, a complexidade pode se transformar em conflito."

Al-Shabaab

O representante especial lembrou que o grupo Al-Shabaab, que reivindicou a responsabilidade pelo ataque ao complexo da ONU em Mogadíscio, há dois dias, continua a ser a maior fonte de insegurança na Somália.

Haysom afirmou que apesar das operações em curso para enfraquecer o grupo terrorista, este “ainda tem a capacidade de realizar ataques indiscriminados contra cidadãos somalis e atingir delegados eleitorais, forças de segurança da Somália e a Missão da União Africana na Somália, Amisom.”

Nesse contexto, o representante observou que houve progresso no fortalecimento da capacidade institucional do setor de segurança para lidar com essas ameaças.

Assistência humanitária

Quanto à crise humanitária, ele lembrou que confrontos armados e violência generalizada, bem como recorrentes choques climáticos, perpetuam as necessidades.

Embora a situação humanitária tenha melhorado em relação ao ano passado devido às chuvas acima da média, as necessidades continuam altas, com 4,2 milhões de pessoas a precisar de assistência e proteção.

O representante especial observou ainda que o respeito pelos direitos humanos e o direito humanitário internacional, bem como a proteção dos civis no contexto do conflito, continuam a ser essenciais para uma paz duradoura na Somália.

Haysom disse que houve progressos, particularmente no que diz respeito ao estabelecimento de instituições de proteção dos direitos humanos, como a Comissão Nacional Independente de Direitos Humanos.

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