Construção de paz e estabilidade na Somália requer persistência e paciência, diz enviado da ONU

21 agosto 2019

País prepara novas eleições gerais no sistema "uma pessoa, um voto" após 50 anos; desafios incluem realizar reformas constitucionais, operações de segurança e negociação do alívio da dívida. 

O representante especial do secretário-geral para a Somália apontou a “persistência e paciência” como fatores para a construção de uma paz e estabilidade sustentáveis no país.

Falando em sessão do Conselho de Segurança, James Swan destacou que a Somália tem passado por situações de “trauma e choques ao longo de muitas décadas”.

O representante especial do secretário-geral para a Somália, James Swan, falando em sessão do Conselho de Segurança, by Foto ONU/Manuel Elias

Voto

As Nações Unidas e a União Africana apoiam as autoridades somalis no processo que deve ser marcado pela realização de eleições gerais em 2020 no sistema "uma pessoa, um voto". Esse tipo de votação foi usado pela última vez há mais de meio século no país.

De acordo com o enviado, o país atua com parceiros internacionais para que ocorram progressos até o fim do próximo ano em questões como reformas constitucionais, operações e reformas do setor de segurança.

No lado econômico, a expetativa é que a Somália consiga negociar o alívio da dívida para permitir um maior financiamento ao desenvolvimento.

Prioridades

Swam disse que devem ser reconhecidos os ganhos obtidos pelos somalis até o momento, mas que a janela para alcançar mais progressos sobre estas questões está diminuindo.

O representante apontou que é importante renovar a cooperação entre todas as partes interessadas e que seja estabelecido um programa, por meio de esforços acelerados, para atingir as metas definidas ainda nos próximos meses.

Também será preciso “um consenso político e o compromisso entre os líderes somalis” dos poderes Executivo e Legislativo, particularmente entre o governo central e os estados federais.

Em outubro será realizada a próxima reunião do Fórum de Parceria da Somália. Swam vê o evento como “uma oportunidade para que a Somália e os parceiros internacionais cheguem a um acordo sobre as áreas de ação prioritárias e catalisar o progresso nas prioridades”.

Representante especial do secretário-geral da ONU sobre Violência Sexual em Conflito, Pramila Patten, no Conselho de Segurança, Foto ONU/Manuel Elias

Terrorismo

O enviado destacou ainda que a situação de segurança continua sendo uma preocupação séria no país do extremo leste africano, lembrando a ameaça que o terrorismo representa para o progresso.

Outra questão importante é a crise humanitária com questões como a insegurança alimentar aguda enfrentada por 2,2 milhões de pessoas e os 2,6 milhões de deslocados internos que fogem de conflitos e secas.

Na sessão do Conselho, a representante especial do secretário-geral sobre Violência Sexual em Conflito, Pramila Patten, anunciou o envio de peritos da ONU para a Somália para apoiar um plano que vai abordar e responder ao problema.

Resposta

A representante contou que sua equipe vai colaborar com o sistema das Nações Unidas no país. Patten sublinhou ainda que mesmo com a paz ainda indefinida, a violência e a insegurança se normalizaram durante décadas de conflito e os  sobreviventes e pessoas que prestam serviços da linha de frente continuam resilientes.

A representante destacou ainda que estes precisam, acima de tudo, de uma resposta do governo somali e da comunidade internacional que “mostrará que eles não foram esquecidos”.

 

 

 

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