Cerca de 6,6 mil africanos morreram desde 2013, diz OIM

19 dezembro 2018

Muitas das mortes registadas estão concentradas nas rotas usadas por traficantes de seres humanos; 16% dos migrantes testemunharam morte de companheiro de viagem; causas incluem fome, desidratação e abuso físico.

O Projeto de Migrantes Desaparecidos da Organização Internacional para a Migração, OIM, estima que 6.615 migrantes tenham morrido em África nos últimos cinco anos. O cálculo é baseado em pesquisas conduzidas por esta iniciativa.

No entanto, segundo a agência, estes inquéritos representam apenas uma pequena fração do número total de pessoas em movimento no continente africano, o que significa que o número de mortes pode ser bastante superior.

Riscos

Segundo a OIM, muitas mortes de migrantes na África são evitáveis.Foto OIM

A OIM adianta que na ausência de fontes de informação oficiais, sistemáticas e intrarregionais sobre os fluxos migratórios em África, inquéritos como estes revelam informações importantes sobre as experiências. Os dados incluem riscos significativos que as pessoas enfrentam nas rotas dentro do continente.

Embora grande parte da migração africana seja regular e ocorra dentro do próprio continente, a agência ressalta os riscos "monumentais" que os migrantes podem enfrentar nas suas viagens.

Para o diretor do Centro de Análise de Dados da OIM em Berlim, Frank Laczko, quando as pessoas não têm acesso a rotas legais de migração e existem poucos registos confiáveis, “os migrantes enfrentam vulnerabilidades nas mãos de traficantes e contrabandistas." O Projeto de Migrantes Desaparecidos está baseado na cidade alemã. 

Muitas das mortes registadas pelo projeto estão concentradas nas rotas usadas por traficantes de seres humanos.

Causas

Os dados mostram que muitas das mortes poderiam ser evitadas. Fome, desidratação, abuso físico, doenças e falta de acesso a medicamentos são causas de morte frequentemente citadas pelos migrantes.

Segundo a OIM, o envolvimento com traficantes de seres humanos pode colocar as pessoas em situações extremamente arriscadas, nas quais elas têm pouca capacidade de se protegerem.

Ainda de acordo com a agência da ONU, a proporção de migrantes que supostamente testemunharam a morte de um companheiro de viagem é de 16%.

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