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Economia da América Latina e Caribe deve desacelerar em 2023 e crescer 1,3%

Uma mulher sorri enquanto prepara tortillas em uma barraca de comida de rua na Cidade do México.
Unsplash/Daniel Lerman O Balanço Preliminar das Economias da América Latina e do Caribe 2022 revela que a performance econômica deste ano, de 3,7%, numa taxa equivalente a menos da metade de 2021, deveu-se a incertezas externas e restrições internas.

Economia da América Latina e Caribe deve desacelerar em 2023 e crescer 1,3%

Desenvolvimento econômico

Previsão é da Comissão Econômica das Nações Unidas para a região, Cepal; este ano, crescimento foi de 3,7% contra 6,7% em 2021; volatilidade financeira e aversão a riscos foram responsáveis por menos fluxos de capitais e investimentos, dizem economistas.

O Balanço Preliminar das Economias da América Latina e do Caribe 2022 revela que a performance econômica deste ano, de 3,7%, numa taxa equivalente a menos da metade de 2021, deveu-se a incertezas externas e restrições internas.*

O relatório foi divulgado pela Comissão Econômica da América Latina e Caribe, Cepal, no início de dezembro, em Santiago do Chile, sede da agência.  

Uma mulher usando máscara e luvas seleciona produtos em um corredor de supermercado repleto de vegetais.
Banco Mundial/Paul Salazar O novo secretário-executivo da Cepal, José Manuel Salazar-Xirinachs, ressaltou a inflação global e o aumento da volatilidade financeira como algumas das causas para a redução de fluxo de capitais na região, que concentra várias economias emergentes.

Economias emergentes e fluxo de capitais

O novo secretário-executivo da Cepal, José Manuel Salazar-Xirinachs, ressaltou a inflação global e o aumento da volatilidade financeira como algumas das causas para a redução de fluxo de capitais na região, que concentra várias economias emergentes.

A Cepal aposta numa moderação do aumento das taxas de política monetária dos principais bancos centrais graças a uma redução da inflação mundial, esperada para ocorrer em 2023.

Os economistas da Comissão da ONU destacam que a desaceleração de 2022 surgiu após um certo dinamismo, registrado no primeiro semestre.

Houve uma combinação de esgotamento do “efeito rebote” da recuperação pós-pandemia, no ano passado, com o resultado das políticas monetárias restritivas.

Outros fatores foram as maiores limitações do gasto fiscal, menores níveis de consumo e investimento e uma piora do contexto externo.

Uma mulher indígena vestida com trajes tradicionais tece em um tear em Chinchero, Peru.
Unsplash/Willian Justen de Vasconcellos A Cepal citou ainda algumas barreiras como as disparidades na participação no mercado entre homens e mulheres e os níveis de desemprego. Como é de praxe na região, houve um aumento nas taxas de informalidade e uma queda nos salários de fato.

Disparidades entre homens e mulheres trabalhadores

A Cepal citou ainda algumas barreiras como as disparidades na participação no mercado entre homens e mulheres e os níveis de desemprego. Como é de praxe na região, houve um aumento nas taxas de informalidade e uma queda nos salários de fato.

Muitos governos não conseguiram reduzir os níveis de endividamento apesar de uma leve queda do déficit primário, em alguns países. A aposta dos economistas é que o espaço fiscal continue condicionando a trajetória do gasto público. Por isso, não se descarta a desvalorização de algumas moedas e o aumento das taxas de juros na região. Para 2023, o financiamento das operações dos governos poderá ser difícil na área fiscal.

Um migrante venezuelano carregando uma grande pilha de pertences e usando máscara facial.
© OPAS, Karen Gonzalez O relatório da Comissão da ONU prevê desafios à gestão macroeconômica, no próximo ano, e desaconselha ajustes prematuros do gasto público.

Eficiência no gasto público

O relatório da Comissão da ONU prevê desafios à gestão macroeconômica, no próximo ano, e desaconselha ajustes prematuros do gasto público.

Para a Cepal, é possível contornar ampliando o espaço fiscal com a redução de evasão, revisão de gastos tributários e reformar para aumentar a arrecadação da estrutura tributária.

América Latina e Caribe irão precisar do apoio multilateral frente a mobilização da liquidez global. É preciso ainda avançar na eficiência do gasto público na região.

Um senhor de idade, usando boné e suéter, caminha por uma rua de Valparaíso, no Chile, carregando um saco de lixo.
Unsplash/Ignacio Amenabar O relatório Balanço Preliminar da Economias da América Latina e do Caribe 2022 aponta ser crucial dinamizar o investimento e a produtividade para atender demandas sociais, criar empregos decentes e reduzir a informalidade.

Reduzir informalidade e criar empregos decentes

O relatório Balanço Preliminar da Economias da América Latina e do Caribe 2022 aponta ser crucial dinamizar o investimento e a produtividade para atender demandas sociais, criar empregos decentes e reduzir a informalidade.

Outras propostas para melhorar a economia é reduzir a desigualdade e a pobreza na região, além de avançar no combate à mudança climática.

A preocupação da Cepal é evitar uma nova década perdida como ocorreu de 2014 até agora.

Para isso, os países latino-americanos e caribenhos terão de colocar em prática políticas públicas inovadoras em todos os setores econômicos.

*Com informações da Cepal, Chile