ONU anuncia desaceleração econômica para América Latina e o Caribe e crescimento de 0.8% para Brasil

31 julho 2019

Maior incerteza e complexidade a nível internacional e baixos níveis de investimento, exportações e consumo são as principais causas; agência da ONU também destaca aumento dos déficits e dívida pública.

A Comissão Econômica para América Latina e Caribe da ONU, Cepal, apresentou esta quarta-feira a sua pesquisa econômica sobre a região, confirmando o declínio do crescimento econômico.

Segundo o relatório, o Produto Interno Bruto, PIB, da região crescerá apenas 0,5% em 2019, um número inferior aos 0,9% registrados no ano anterior.

Motivos

Secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, Carlos Vera/ECLAC

Em relação ao Brasil, a agência prevê um crescimento de 0,8%. Em 2018, o PIB brasileiro cresceu 1,1%. A previsão acompanha a análise do Banco Mundial, que também reduziu a sua projeção de crescimento para o país.

A Cepal diz que os motivos da queda são o contexto internacional de maior incerteza e complexidade e o fraco desempenho de investimento, exportações e consumo.

Na pesquisa, a agência destaca a importância de expandir o espaço fiscal e reorientar o investimento, a produtividade e as políticas monetárias para estimular as economias dos países da região.

Ameaças

Falando a jornalistas em Santiago, Chile, a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, disse que “a região está enfrentando um contexto externo de maior incerteza e crescente complexidade.”

Entre os fatores de complexidade, Bárcena destacou menos impulso da atividade econômica e comércio global, maior volatilidade e fragilidade financeira, questionamento do sistema multilateral e aumento das tensões geopolíticas. Outras causas são a falta de investimentos e quedas nas exportações, gastos públicos e consumo privado.

Queda

A desaceleração afetará 21 dos 33 países da América Latina e do Caribe. Em média, a América do Sul deverá crescer 0,2%, a América Central 2,9% e o Caribe 2,1%.

Além da desaceleração, os níveis de renda são insuficientes para cobrir os gastos, o que se traduz em déficits e um aumento da dívida. A agência prevê que a crescente volatilidade cambial e a maior depreciação limitarão a capacidade dos bancos centrais de aprofundar políticas de estímulo.

Soluções

A Cepal diz que o espaço político precisa ser ampliado para enfrentar a desaceleração e contribuir para o crescimento econômico, com medidas nas áreas fiscal e monetária, bem como em investimento e produtividade.

Na área fiscal, é necessário reduzir a evasão fiscal e os fluxos financeiros ilícitos, criar novos impostos relacionados à economia digital, meio ambiente e saúde pública e reavaliar os gastos com impostos.

Em termos de política monetária, o relatório pede a promoção do crescimento econômico sem comprometer a estabilidade cambial e de preços. Ao mesmo tempo, é necessário aumentar a participação de setores intensivos em conhecimento, reorientar os investimentos para setores com maior dinamismo e adotar políticas de estímulo com impacto em termos de inovação e empregos de qualidade.

A nível global, o relatório diz que o nível da dívida é generalizado e registra níveis recordes, cerca de 320% do PIB, em um contexto de baixo crescimento.

 

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