Agências humanitárias prometem permanecer no Afeganistão
BR

20 agosto 2021

Comunicado firmado por 16 entidades da ONU e outras organizações além da relatora dos direitos das pessoas deslocadas diz que os afegãos precisam do apoio mais do que nunca; grupo busca US$ 1,3 bilhão para atender 16 milhões de afegãos.

Se depender das agências humanitárias e outras organizações de assistência, os afegãos deverão continuar recebendo apoio e proteção.

Este é o foco de um comunicado conjunto firmado por 16 agências da ONU, unidades parceiras e pela relatora especial dos direitos de deslocados internos, Cecilia Jimenez-Damary. O representante do Unicef deixou claro que a agência vai continuar no país.

A ONU calcula que 18 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária no Afeganistão
Foto: © UNICEF Afghanistan
A ONU calcula que 18 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária no Afeganistão

10 milhões de crianças

Durante uma transmissão ao vivo com o porta-voz do secretário-geral da ONU em Nova Iorque, o funcionário do Unicef afirmou que a agência está operando no Afeganistão por 65 anos e que vai continuar no país.

Desde 15 de agosto, o Afeganistão está sob o controle do movimento Talebã, que assumiu a capital Cabul, após a fuga do presidente afegão Ashraf Ghani.

No comunicado, as agências humanitárias dizem que “mais do que nunca o povo do Afeganistão precisa do apoio”. As entidades se comprometeram em ajudar e proteger os afegãos continuando no país e fornecendo o auxílio necessário.

No início deste ano, metade dos afegãos incluindo mais de 2 milhões de mulheres e quase 10 milhões de crianças já precisavam de ajuda humanitária para sobreviver.

Cidade de Cabul, capital do Afeganistão
Unama/Fardin Waezi
Cidade de Cabul, capital do Afeganistão

Covid-19

A situação está ainda mais grave por causa do conflito, da seca e da pandemia. Desde o fim de maio, o número de deslocados internos pelo conflito, que precisam de ajuda humanitária, mais que dobrou chegando a 550 mil.

Um terço dos afegãos enfrenta níveis agudos de insegurança alimentar e mais da metade das crianças menores de cinco anos estão subnutridas.

As agências reforçaram o pedido do secretário-geral António Guterres para que todas as partes incluindo o Talebã acabassem com a violência e respeitassem os direitos humanos e a lei humanitária internacional. O grupo pediu a passagem segura de homens e mulheres humanitários para que a ajuda possa chegar a quem precisa.

Para as agências humanitárias, todas as partes no Afeganistão precisam respeitar os civis e as liberdades de todos.

Professora de uma escola para meninas em Cabul sendo vacinada contra a Covid-19
UNICEF
Professora de uma escola para meninas em Cabul sendo vacinada contra a Covid-19

Mulheres e meninas

As organizações reafirmaram seu compromisso na promoção do direito de cada um no país incluindo mulheres e meninas.
Segundo o comunicado, os direitos e avanços conquistados para elas incluindo educação de qualidade têm de ser mantidos e preservados.
Em comunicado separado, o Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, lembrou que meninas e mulheres precisam ser parte da solução e todos as pessoas devem estar incluídas.

Meninas tinham aula de educação sexual no Afeganistão
© Unfpa Afghanistan
Meninas tinham aula de educação sexual no Afeganistão

Financiamento

Há várias décadas, o Unfpa apoia o trabalho de parteiras e de saúde sexual e reprodutiva no país.

No comunicado conjunto, o grupo de agências pediu a governos que mantenham suas fronteiras abertas para que afegãos, que querem, tenham como pedir asilo a outro país.

As agências calculam que será preciso US$ 1,3 bilhão para alcançar quase 16 milhões de pessoas no Afeganistão com ajuda humanitária. Apenas 37% desse total foram recebidos.
 

 

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