Guiné-Bissau: ONU quer apoiar desenvolvimento sustentável fortalecendo vocação marítima
BR

2 julho 2021

Melhor aproveitamento das oportunidades como pequeno Estado insular em desenvolvimento foi a questão que guiou discussões; Chefe do Programa da ONU lembra que país com um terço de território marítimo vive “de costas para ao mar”; Diretor Regional da Unesco para África participa do evento presidido pelo Vice-Primeiro-Ministro, Soares Sambu. 

Um evento de Alto Nível com parceiros e especialistas da ONU concretiza um ano de estratégias sobre como a Guiné-Bissau pode encarar a Economia Azul. A iniciativa é do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, em parceria com o Governo guineense.

Renascimento

Os participantes repensaram a recuperação socioeconômica da Guiné-Bissau de maneira mais sustentável, resiliente e inclusiva para construir um futuro ecológico mais inteligente e que atenda as lições derivadas da Covid-19. A pandemia pôs em evidência os problemas globais do desenvolvimento.

Citando a estratégia marítima integrada da União Africana, o Representante do Pnud disse que a Economia Azul é uma nova fronteira de renascimento continental com potencial para criar riqueza, promover o comercio, gerar crescimento econômico e transformar vidas.

Tjark Egenhoff destacou que o oceano não é apenas fonte de emprego e sustento das comunidades costeiras, mas também elemento inerente à cultura, herança e parte de um sonho de desenvolvimento.

Biodiversidade

“As águas da Guiné-Bissau são consideradas uma das áreas de biodiversidade mais ricas da África Ocidental, o ecossistema marinho e terrestre é muito rico e diversificado e é uma parte essencial da riqueza natural do país e base também para um possível financiamento verde e azul.”

A Guiné-Bissau integra a iniciativa das Nações Unidas, década da Ciência dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável que iniciou este ano. 
Para o chefe do Pnud, os oceanos são parte da sobrevivência humana e não cuidar dos ecossistemas é retirar a viabilidade de um bem público e não pensar no desenvolvimento.

A interrupção das cadeias de abastecimento e a circulação de pessoas e bens em consequência da pandemia, pesaram sobre as economias. Os setores mais afetados são a agricultura, transportes, turismo e pequenas empresas, consideradas espinha dorsal da Guiné-Bissau, explicou o representante. 

Segundo ele, a pandemia demostrou o quanto é importante que o desenvolvimento socioeconômico e a proteção ambiental estejam articulados. 

Mudança de Paradigma

“A ligação entre a erupção dos ecossistemas pelo ser humano e a gênesis de uma pandemia com consequências devastadoras mudaram até os nossos padrões de como se pensa e como se deveria pensar o desenvolvimento. Penso que as pessoas estão a mudar de paradigma, pensando menos em ego sistema, para mais pensamento sistémico ou ecossistema”.

Para Tjark Egenhoff, os mais desfavorecidos são sempre os mais afetados, e é preciso que o projeto tenha em conta esse olhar dos mais vulneráveis. 

A Economia Azul contribui com cerca de US$ 2,3 trilhões ao Produto Interno Bruto, PIB global, sendo inferior apenas ao de quatro nações mundiais. 

A União Africana identificou o desenvolvimento do oceano azul como um objetivo prioritário para alcançar a aspiração de uma África prospera em conjunto com a agenda 2063. 

De Bissau, Amatijane Candé para a ONU News.
 

 

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