Metade da população no Líbano precisa de assistência, ONU pede mais apoio
BR

15 junho 2021

Organização quer US$ 300 milhões para socorrer 1,5 milhão de libaneses e 400 mil trabalhadores migrantes que vivem na nação árabe, diz vice-chefe humanitária no país.

As Nações Unidas alertam para uma deterioração da questão humanitária no Líbano, onde metade da população está precisando de assistência. Para socorrer, de forma imediata, 1,5 milhão de libaneses e 400 mil trabalhadores migrantes, a organização está pedindo US$ 300 milhões para os próximos oito meses.

Sonhos

Num encontro com a mídia local, a vice-coordenadora humanitária das Nações Unidas no Líbano, Najat Rochdi, afirmou que a quantia servirá para socorrer pessoas que têm sonhos simples como de obter um teto para viver ou de ir para a escola. Ela contou que conheceu cinco libaneses, que há alguns meses eram parte da classe trabalhadora do país árabe. E que agora estão vivendo na pobreza. 

Migrantes em Beirute, no Líbano
OIM/Muse Mohammed
Migrantes em Beirute, no Líbano

Reforma

A dura crise econômica enfrentada pelo país foi agravada após a explosões de 4 de agosto de 2020 no porto de Beirute e dos efeitos da guerra na Síria. Além disso, o impasse político no Líbano impede qualquer tentativa de reforma e recuperação.

A ONU descreve a crise econômica do Líbano como a pior de sua história. A moeda local está desvalorizada, o poder de compra diminuiu e o país atravessa uma fase de hiper inflação.

Entre abril de 2019 e abril de 2021, o Índice de Preço do Consumidor subiu mais de 208% e os libaneses sofreram com um aumento de 670% na compra de alimentos e bebidas. As taxas de desemprego dispararam e mais da metade dos libaneses agora vivem na pobreza.

Ajuda alimentar do PMA chegando ao Líbano
PMA/Ziad Rizkallah
Ajuda alimentar do PMA chegando ao Líbano

Sobrevivência

Já os níveis de pobreza extrema aumentaram 300% de 2019 a 2020, quando atingiu 23%. Já o Produto Interno Bruto, PIB, pode ter caído 13,8% no ano passado.

Cada vez mais lares no Líbano não têm dinheiro para despesas básicas como água, luz, eletricidade, saúde, educação, internet. O país também abriga muitos refugiados da Síria e palestinos. Muitas famílias libanesas se juntaram a esses grupos em suas necessidades de sobrevivência.

Segundo o Banco Mundial, no último trimestre do ano passado, quase um quarto dos libaneses não tinha o suficiente para sua dieta diária. Muitas famílias tiveram que reduzir o alimento sobre a mesa, e com isso várias crianças de seis meses a cinco anos sofreram com má nutrição.

Voluntários ajudam na limpeza após a explosão na área de Gemmayze, em Beirute, Líbano.
Unicef/Ramzi Haidar
Voluntários ajudam na limpeza após a explosão na área de Gemmayze, em Beirute, Líbano.

Serviços públicos

Mas sem os recursos, quase metade deste total pode ficar sem receber o suficiente entre junho e novembro deste ano. As Nações Unidas precisam corrigir uma lacuna de US$ 102 milhões no financiamento prevista para o segundo semestre.

O impasse político no Líbano levou a uma quebra dos serviços públicos. Mesmo que a maior parte dos serviços públicos do país sejam fornecidos por empresas particulares como 70% na área de educação e saúde. Mas com a perda do poder de compra dos cidadãos, a maior parte desses serviços foi suspensa.

A crise da Covid-19 no Líbano também colocou pressão extra no já precário sistema de saúde. Com falta de remédios e equipamentos, e perda de salários, muitos agentes de saúde foram forçados a migrar para outras áreas.

Nem mesmo as Forças Armadas escaparam da crise, segundo o comandante que informou que o Exército está precisando de ajuda externa para manter suas operações.
 

 

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