Novo relatório mostra que mundo pode eliminar a Aids de uma vez por todas 
BR

4 junho 2021

Primeiros casos de HIV foram relatados há 40 anos; globalmente, número de pessoas em tratamento mais do que triplicou desde 2010; mortes diminuíram em grande parte devido ao lançamento da terapia antirretroviral, caindo 43% desde 2010.  

Quatro décadas após os primeiros casos de HIV/Aids terem sido notificados, novos dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Unaids, mostram que dezenas de países alcançaram ou ultrapassaram as metas de 2020 estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2016. 

Segundo a pesquisa, esses dados são evidência de que as metas são possíveis. Países com leis e políticas progressivas e sistemas de saúde fortes e inclusivos tiveram os melhores resultados. 

Resultados 

Nesses países, as pessoas que vivem e são afetadas pelo HIV têm mais acesso a serviços eficazes, incluindo testes, medicamentos para prevenção e redução de danos, suprimentos de vários meses de tratamento e acompanhamento consistente e de qualidade. 

Atualmente, 38 milhões de pessoas vivem com o vírus da Aids.
Unicef/Karin Schermbrucke
Atualmente, 38 milhões de pessoas vivem com o vírus da Aids.

Falando à ONU News, a diretora e representante do Unaids no Brasil, Claudia Velasquez, destacou a relação da pandemia de HIV com a crise da Covid-19. 

“O relatório reforçou que vivemos uma conexão de duas pandemias, ambas impulsionadas por desigualdades. Estamos atrasados na resposta à pandemia da Aids e também da Covid-19. Por isso, este não é o momento para nos afastarmos da resposta ao HIV. Mesmo 40 anos depois do primeiro caso, a pandemia de HIV continua a ameaçar o mundo e, infelizmente, a pandemia de Covid-19 fez com que houvesse um atraso ainda maior em relação aos progressos feitos para acabar com a Aids.”

Claudia Velasquez sugeriu ainda ações de combate à crise de saúde. 

“Com o HIV, aprendemos a importância de construir comunidades resistentes a pandemia, que é a chave para evitar futuras crises sanitárias. Também vimos que as pandemias podem arruinar economias rapidamente. Investir para minimizar o impacto das pandemias pode evitar choques econômicos. A ciência tem feito grandes progressos na resposta ao HIV, mas podemos fazer essa resposta acontecer de uma melhor forma e mais rapidamente. A Covid-19 mostrou que a ciência pode avançar rapidamente se tivermos vontade política e envolvimento de todas as pessoas.”

Caminho

Em comunicado, a diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, disse que estes países mostram o caminho a seguir.  

Segundo ela, “o financiamento adequado, envolvimento genuíno da comunidade, abordagens multissetoriais e baseadas em direitos e o uso de evidências científicas para orientar estratégias específicas reverteram a epidemia e salvaram vidas.” 

Para a chefe da agência, “esses elementos são inestimáveis ​​para a preparação e as respostas para uma pandemia contra o HIV, Covid-19 e muitas outras doenças.” 

Gays e outros homens que fazem sexo com homens têm duas vezes mais chances de adquirir HIV se morarem num país com abordagens punitivas em relação à orientação sexual
UNAIDS
Gays e outros homens que fazem sexo com homens têm duas vezes mais chances de adquirir HIV se morarem num país com abordagens punitivas em relação à orientação sexual

Conclusões  

Globalmente, o número de pessoas em tratamento mais do que triplicou desde 2010. 

Em 2020, 27,4 milhões das 37,6 milhões de pessoas vivendo com HIV estavam em tratamento, contra apenas 7,8 milhões em 2010. A estimativa é que o tratamento de qualidade evitou 16,2 milhões de mortes desde 2001. 

As mortes diminuíram em grande parte devido ao lançamento da terapia antirretroviral, caindo 43% desde 2010, para 690 mil em 2020. 

Também houve avanços na redução de novas infecções, mas mais lento, uma redução de 30% desde 2010. Cerca de 1,5 milhão de pessoas foram infectadas em 2020, em comparação com 2,1 milhões em 2010. 

Exclusão 

O relatório destaca que os países com leis punitivas e sem uma abordagem com base em direitos para a saúde punem, ignoram e estigmatizam populações-chave, que representam 62% das novas contaminações. 

Por exemplo, quase 70 países criminalizam relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, pessoas trans, pessoas na prisão e pessoas que injetam drogas ficam com pouco ou nenhum acesso a serviços sociais ou de saúde, permitindo que o HIV se espalhe entre os mais vulneráveis ​​da sociedade. 

Mulheres jovens na África Subsaariana também continuam sendo deixadas para trás. Seis em cada sete novas infecções por HIV entre adolescentes de 15 a 19 anos na região são entre meninas. As doenças relacionadas à Aids continuam sendo a principal causa de morte entre mulheres de 15 a 49 anos na região. 

A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima.
Foto: ONU/Amanda Voisard
A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima.

Esforços 

No último ano, a Covid-19 destacou a fragilidade dos ganhos em saúde e desenvolvimento obtidos nas últimas décadas e expôs desigualdades gritantes. 

Para acabar com a Aids até 2030, o relatório afirma que a comunidade global precisa desenvolver uma estratégia ambiciosa e viável com novas metas até 2025.  

Se alcançadas, até 2025, as metas levarão serviços de HIV a 95% das pessoas que precisam deles, reduzirá as infecções anuais para menos de 370 mil e as mortes relacionadas à Aids para menos de 250 mil.  

Esse esforço exige um investimento de US$ 29 bilhões por ano até 2025. Cada US$ 1 de investimento trará um retorno de mais de US$ 7 em benefícios para a saúde. 

A Unaids exorta a Assembleia Geral a comprometer-se com estes objetivos, aprovando uma nova declaração política na 5ª Reunião de Alto sobre o tema, que acontece entre 8 e 10 de junho.  

Para a chefe da agência, “o mundo não pode se dar ao luxo de investir pouco em preparação e respostas à pandemia.” Byanyima pede que os Estados-membros “aproveitem o momento e se comprometam a tomar as medidas necessárias para acabar com a Aids.” 

 

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