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FAO precisa de US$ 15 mihões para socorrer vítimas da violência em Cabo Delgado BR

Crianças brincam em um acampamento de deslocados empoeirado em Cabo Delgado, Moçambique, em meio a uma crise humanitária causada por inundações e conflitos armados.
Unicef/Mauricio Bisol Crianças brincam em assentamento de deslocados internos de Metuge, em Cabo Delgado

FAO precisa de US$ 15 mihões para socorrer vítimas da violência em Cabo Delgado

Ajuda humanitária

Província, no extremo norte de Moçambique, enfrenta um conflito armado entre terroristas islâmicos e tropas do governo do país de língua portuguesa; auxílio temporário visa a equipar famílias na produção do próprio sustento.

 

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, está a dar assistência a 12,5 mil famílias afetadas pela violência em Cabo Delgado. 

Até o momento, a agência mobilizou US$ 3,9 milhões para garantir os meios de subsistência a cerca de 100 mil pessoas, mas a FAO precisa de um total de US$ 15 milhões para socorrer os moçambicanos afetados.

Uma jovem moçambicana carrega um bebê em um colorido sling de tecido em uma aldeia rural em Cabo Delgado.
Pessoas deslocadas em Cabo Delgado precisam de ajudam humanitária, PMA/Falume Bachir

Sementes

As famílias recebem através de cartões eletrónicos, um crédito de 3.6 mil meticais (equivalente a US$ 48). O valor serve para compra de sementes de cereais e hortícolas, além de instrumentos agrícolas como catanas e enxadas.

Cabo Delgado, no extremo norte de Moçambique, está sendo afetado por um confronto entre tropas do governo e terroristas islâmicos.

Em nota, a FAO afirma que o apoio serve para garantir que as famílias afetadas produzam os seus próprios alimentos, reduzindo a dependência.

500 mil deslocados

A agência da ONU optou por incluir também as famílias que hospedam os deslocados, para aliviar a pressão sobre os seus recursos e alimentos.

A crise no norte de Moçambique intensificou-se nos últimos meses como resultado do conflito, insegurança e violência em Cabo Delgado, provocando mais de 500 mil deslocados internos.

Face à situação, a questão da insegurança alimentar e nutricional é grave numa altura em que as comunidades ainda precisam de se recuperar dos impactos do ciclone Kenneth que afetou a província em abril de 2019.

Reino Unido e Estados Unidos

Pessoas deslocadas sentam-se no chão, algumas usando máscaras, em uma área externa empoeirada em Moçambique.
Pessoas deslocadas aguardando distribuição de ajuda alimentar, PMA/Falume Bachir

Para garantir meios de subsistência acerca de 100 mil pessoas, a FAO já mobilizou cerca de US$ 3,9 milhões doados pelos Governos do Reino Unido, dos Estados Unidos e pelo Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas, Cerf.

O pacote de apoio também inclui uma componente de pecuária, através da distribuição de 20 mil galinhas e assistência técnica de vacinação para beneficiar 5 mil agregados familiares nos distritos que hospedam os deslocados.

Setor agrícola

A FAO está atualmente a implementar projetos em cinco distritos que acolhem as famílias deslocadas, quatro em Cabo Delgado nomeadamente Ancuabe, Chiure, Metuge e Montepuez.  Na Província de Nampula, o projeto restituição dos meios de vida da população afetada decorre no distrito de Meconta.

No âmbito do Plano de Resposta Humanitária 2021 das Nações Unidas em Moçambique, a FAO precisa de US$ 15 milhões para fazer face à situação de emergência em Cabo Delgado e apoiar os deslocados e comunidades anfitriãs que dependem do setor agrícola para sua sobrevivência.