Violência em Moçambique já forçou 565 mil pessoas a abandonar suas casas  BR

Pessoas deslocadas pela violência em Cabo Delgado estão recebendo ajuda humanitária
Unicef/Ricardo Franco
Pessoas deslocadas pela violência em Cabo Delgado estão recebendo ajuda humanitária

Violência em Moçambique já forçou 565 mil pessoas a abandonar suas casas 

Ajuda humanitária

Programa Mundial de Alimentos fornece assistência alimentar a cerca de 400 mil civis afetados pelo conflito em Cabo Delgado, mas tem problemas de financiamento; nos próximos três meses, agência poderá ter que reduzir ou interromper auxílio em três províncias; Covid-19 piora a situação. 

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, está fornecendo assistência alimentar a cerca de 400 mil pessoas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado, apesar do aumento da insegurança e financiamento limitado. A área é alvo de combates entre terroristas islâmicos e tropas do governo do país de língua portuguesa. 

Crianças brincam em assentamento de deslocados internos de Metuge, em Cabo Delgado
Crianças brincam em assentamento de deslocados internos em Cabo Delgado, Unicef/Mauricio Bisol

Em comunicado, a agência diz que milhares de moçambicanos correm risco de fome e desnutrição graves devido a uma escassez de US$ 108 milhões de financiamento. Até o momento, 565 mil pessoas foram foçadas a abandonar suas casas.  

Ajuda 

Nesse momento, o PMA ajuda 400 mil pessoas nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa com uma cesta básica familiar de 50 kg de cereais, 5 litros de óleo e 10 kg de feijão e lentilhas secas.  

A cesta de alimentos garante pelo menos 81% das necessidades diárias de calorias das famílias deslocadas e contribui para evitar que famílias já traumatizadas e vulneráveis ​​sejam vítimas de exploração. 

A agência distribui vales mensais de cerca de US$ 50 onde os mercados locais estão funcionando, permitindo que as famílias decidam suas necessidades básicas. 

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Financiamento 

Nos próximos três meses, o PMA pode ser forçado a reduzir ou interromper a assistência alimentar nas três províncias devido à falta de financiamento.  

Isso causa preocupações em torno da segurança alimentar e dos riscos à saúde resultantes da desnutrição, mas também pode criar tensões nas comunidades de acolhimento. 

Em comunicado, a representante do PMA no país, Antonella D’Aprile, disse que estas pessoas “são especialmente vulneráveis ​​à propagação de Covid-19 porque estão amontoadas em assentamentos, quintais de famílias ou sem abrigo e sem acesso a serviços de saúde, água potável e saneamento.” 

 Em Moçambique, pessoas deslocadas internamente que fogem da insegurança em Cabo Delgado chegam de barco na praia de Paquitequete, em Pemba.
Pessoas que fogem da insegurança chegam de barco na praia em Pemba, OIM/Sandra Black

Segundo a representante, “milhares de crianças e adolescentes que perderam os pais e familiares próximos precisam de proteção e cuidados.” 

Necessidades 

O PMA precisa de US$ 10,5 milhões por mês para fornecer assistência alimentar a 750 mil pessoas, 500 mil deslocados internos e 250 mil das comunidades de acolhimento. 

Para garantir a assistência alimentar humanitária nos próximos 12 meses, a agência requer US$ 132,4 milhões, dos quais apenas US$ 24,4 milhões foram garantidos até o final de 2020.  

Antonella D'Aprile afirmou que é necessário “unir esforços agora para proteger a segurança alimentar e nutricional e a subsistência dos moçambicanos.”