Agravamento da crise em Cabo Delgado preocupa agências da ONU em Moçambique  BR

Pessoas deslocadas em Cabo Delgado precisam de ajudam humanitária
PMA/Falume Bachir
Pessoas deslocadas em Cabo Delgado precisam de ajudam humanitária

Agravamento da crise em Cabo Delgado preocupa agências da ONU em Moçambique 

Ajuda humanitária

Diretores regionais de sete agência visitaram província para avaliar necessidades humanitárias; mais de 565 mil pessoas fugiram de suas casas e aldeias desde que os ataques de grupos armados não estatais começaram em 2017.

As Nações Unidas estão profundamente preocupadas com o agravamento da crise humanitária e a escalada da violência que forçou milhares a abandonar suas casas e distritos na província de Cabo Delgado, em Moçambique.  

De acordo com o governo, mais de 565 mil pessoas fugiram de suas casas e aldeias desde que os ataques de grupos armados não estatais começaram em 2017. 

Missão  

Pessoas deslocadas pela violência em Cabo Delgado estão recebendo ajuda humanitária
Visita permitiu testemunhar o impacto da violência e mostrar apoio às comunidades afetadas, Unicef/Ricardo Franco

Esta quarta-feira, os diretores regionais de várias agências da ONU* falaram a jornalistas, de forma virtual, sobre as conclusões de uma missão conjunta que aconteceu em dezembro.  

Em comunicado, eles disseram que a visita permitiu testemunhar o impacto da violência e mostrar apoio às comunidades afetadas e ao povo moçambicano. 

Na visita, os diretores avaliaram a situação e as necessidades das populações deslocadas, bem como das comunidades anfitriãs, e encontraram-se com funcionários do governo em Maputo. 

Eles expressaram profundas preocupações, afirmando que o conflito e a violência deixaram as pessoas sujeitas a violações dos direitos humanos e com acesso muito limitado a alimentos e meios de subsistência. 

A crescente insegurança e a infraestrutura deficiente tornaram mais difícil chegar às pessoas necessitadas. Com a pandemia de Covid-19, a crise ficou ainda mais complexa. 

Encontros 

Os representantes ouviram relatos comoventes de homens, mulheres e crianças deslocados na cidade de Pemba, capital de Cabo Delgado, e nos distritos de Ancuabe e Chiúre. 

Eles também se encontraram com comunidades de acolhimento, visitaram áreas de reassentamento e reuniram com o governador provincial e o secretário de Estado, bem como com líderes religiosos e representantes de organizações civis. 

Em Maputo, eles se encontraram com funcionários do governo e dos parceiros de desenvolvimento. 

Crianças brincam em assentamento de deslocados internos de Metuge, em Cabo Delgado
Unicef/Mauricio Bisol
Crianças brincam em assentamento de deslocados internos de Metuge, em Cabo Delgado

Segundo os diretores, esta é uma emergência complexa de segurança, direitos humanos, humanitária e de desenvolvimento, que destaca a necessidade de assistência e apoio à construção de resiliência de longo prazo liderada pelo governo. 

Mudança climática 

A falta de alimentação adequada, água, saneamento, abrigo, saúde, proteção e educação agrava uma situação considerada terrível. A iminente estação de chuvas também é um risco, em um país sujeito a choques climáticos extremos, como aconteceu em 2019 com os ciclones Idai e Kenneth.  

Em dezembro, a tempestade tropical Chalane atingiu as mesmas populações afetadas pelo Idai. Em comunicado, os diretores dizem que “foi um lembrete severo da ameaça climática que os moçambicanos enfrentam e da urgência de aumentar massivamente os investimentos em recuperação e resiliência.” 

Com a pandemia mantendo a maioria das escolas fechadas, eles destacam a importância do investimento na educação.  

Apelos 

Os representantes pediram uma expansão urgente dos programas de proteção, saúde, alimentação e nutrição, bem como intervenções de vacinação e imunização e aconselhamento psicossocial. Também realçaram a necessidade de ajudar agricultores e pescadores a restabelecer seus meios de subsistência. 

Na capital de Cabo Delgado, Pemba, grupo de deslocados devido a atividade terrorista
Na capital de Cabo Delgado, Pemba, grupo de deslocados devido a atividade terrorista, OIM/Matteo Theubet

Os diretores pediram ainda apoio para o reassentamento destas famílias. Investimentos são necessários para promover os direitos humanos e a justiça social, mas também para limitar o impacto de crises atuais e futuras.  

Para conter o extremismo violento, eles apelaram a iniciativas de desenvolvimento transnacionais que priorizem o empoderamento económico e a inclusão social e política de mulheres e jovens. 

Os representantes pediram ainda que o governo e a comunidade internacional intensifiquem esforços para acabar com todas as formas de violência, incluindo a violência baseada no género e o casamento infantil, investindo mais nas mulheres e meninas como agentes de progresso e mudança. 

Para terminar, os diretores regionais agradeceram o apoio do governo e reafirmaram o compromisso da ONU com a defesa dos direitos humanos e a promoção da paz e do desenvolvimento sustentável para todos os moçambicanos. 

 

*Participaram na missão os representantes da Organização da ONU para Alimentação e Agricultura, FAO, Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola das Nações Unidas, Ifad, IFAD, Organização Internacional para Migrações, OIM, Fundo da ONU para a População, Unfpa, Agência da ONU para Refugiados, Acnur, Programa Mundial de Alimentos, PMA, bem como o Gestor do Centro de Resiliência do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, e membros da Equipe da ONU no país.