FMI aponta prioridades para recuperação econômica no pós-pandemia
BR

16 dezembro 2020

Ações incluem prudência em políticas econômicas e instituições, solidez no investimento em pessoas e foco na ação climática; mundo está na iminência de enfrentar baixa da produção de US$ 11 trilhões em 2021; chefe do FMI pede reestruturação imediata em países com dívida pública insustentável.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, FMI, apontou três necessidades para o momento de recuperação da pandemia. 

Falando ao Conselho de Direção do órgão, Kristalina Georgieva citou como prioridades a prudência em políticas econômicas e nas instituições, a solidez no investimento em pessoas e a concentração na questão da mudança climática. 

IMF/Henrik Gschwindt de Gyor
Sede do FMI em Washington, nos Estados Unidos

Pobreza

A chefe do FMI lembrou que a pandemia ceifou mais de 1 milhão de vidas. Ela enfatizou a “calamidade econômica” com a iminente contração da economia mundial em 4,4% este ano, a baixa da produção de US$ 11 trilhões em 2021, o desespero com as perturbações e o primeiro aumento da pobreza em décadas.

Em relação a políticas prudentes, Kristalina Georgieva defendeu estruturas sólidas de médio prazo para políticas monetárias, fiscais e financeiras. Estas podem ajudar a criar confiança e a resiliência necessárias para o futuro quando aplicadas com reformas para impulsionar o comércio, a competitividade e a produtividade.

As recomendações incluem vigilância cuidadosa sobre os riscos dos altos níveis de endividamento, que devem aumentar de forma significativa em 2021. Em economias avançadas as dívidas poderão representar 125% do Produto Interno Bruto, PIB. Nos mercados emergentes a proporção deve chegar a 65% e nos países de baixa renda 50%.

Georgieva lembrou que o Fundo tem apoiado o alívio da dívida em economias menos desenvolvidas e, tal como o Banco Mundial, a extensão pelo grupo das maiores economias mundiais, G20, da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida. Mas realçou que esta deve ser reestruturada sem demora onde é insustentável.

ONU / Jean-Marc Ferré
Chefe do FMI apontou que as pessoas devem estar no centro das políticas e que a pandemia expôs a importância de sistemas de saúde fortes

Sistemas de saúde

Como segundo imperativo, a chefe do FMI apontou que as pessoas devem estar no centro das políticas e que a pandemia expôs a importância de sistemas de saúde fortes.

A chefe do Fundo realçou ainda que o aumento da desigualdade e a rápida mudança tecnológica exigem fortes sistemas de educação e treinamento para abrir mais as oportunidades e reduzir disparidades.

Uma das questões é a igualdade de gênero que “pode ser uma virada de jogo global.” Para os países com maiores lacunas de gênero, abordar o problema poderia aumentar o PIB em uma média de 35%.

Outra proposta é investir nos jovens que carecem de acesso à saúde, educação e também à internet que abre “as portas para a economia digital, essencial a para o crescimento e o desenvolvimento no futuro”.

Pnud Uruguai/Pablo La Rosa
Falta de acesso à internet é uma das grandes causas de desigualdade na educação durante pandemia de Covid-19

Digitalização

Um dos exemplos é a projeção apontando que a expansão do acesso à internet na África Subsaariana em 10% da população impulsionaria o PIB real per capita em até 4 pontos percentuais. Outra vantagem da digitalização é a inclusão financeira que apoiaria o combate à pobreza.

Por último, Georgieva enfatizou o foco na ação climática destacando os danos diretos de cerca de US$ 1,3 trilhão após desastres climáticos na última década. 

A chefe do FMI citou uma pesquisa da instituição revelando que a combinação certa do investimento verde e da subida de custos de carbono apoiariam a meta de zero emissões até 2050 e a criação de milhões de novos empregos.

Georgieva considera o momento de recuperação “uma oportunidade histórica de construir um mundo mais verde, próspero e com mais empregos”.

Empréstimos 

O FMI já destinou mais de US$ 100 bilhões em empréstimos e disse contar com mais recursos substanciais da capacidade total de US$ 1 trilhão para apoiar os países nesta fase de crise.

A meta é continuar dando atenção especial às necessidades urgentes dos mercados emergentes e países de baixa renda. De acordo com a diretora-gerente a ênfase será dada aos Estados pequenos e frágeis para o pagamento de pessoal médico, proteção dos mais vulneráveis e apoio à economia.
 

 

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