Número de alunos fora da escola por pandemia subiu 38% somente em novembro 
BR

7 dezembro 2020

Unicef diz que escolas não são o motor do contágio com o novo coronavírus e por isso países precisam evitar fechamentos; mais 90 milhões de alunos não voltaram ao colégio mesmo após ausência ter sido reduzida em 30%, em outubro.

O número de alunos afetados pelo fechamento de escolas devido à Covid-19 aumentou 38% em novembro, colocando mais pressão sobre o aprendizado e bem-estar de alunos em todo o mundo. 

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, apela aos governos para priorizar a reabertura das escolas, evitar fechamentos gerais em todo o país e tomar todas as ações possíveis para deixar as salas de aula seguras. 

Menino do Uganda agradecendo professores por trabalho durante pandemia, Unicef/Jimmy Adriko

Evidências 

Quase um em cada cinco alunos em todo o mundo segue fora da escola. São cerca de 320 milhões de crianças. Somente em novembro, a ausência dos alunos aumentou em quase 90 milhões de casos.  

Esses números representam uma mudança na tendência dos últimos meses. Em outubro, o número de alunos afetados diminuiu quase três vezes. 

Em comunicado, o chefe global de Educação do Unicef, Robert Jenkins, afirmou que “as evidências mostram que as escolas não são os principais motores desta pandemia.” 

Direção errada 

Segundo ele, “apesar de tudo que se aprendeu sobre Covid-19, o papel das escolas na transmissão e as medidas que se podem tomar para manter as crianças seguras, está se caminhando na direção errada e muito rapidamente.” 

O especialista destacou “uma tendência alarmante dos governos fechando escolas como um primeiro recurso, e não como um último recurso.” 

Jenkins disse ainda que, em alguns casos, isso está sendo feito em todo o país, ao invés de comunidades individuais, e as crianças continuam a sofrer os impactos. 

CCO Public Domain
Muitos alunos ainda não regressaram às salas de aula

Consequências 

Quando as escolas fecham, as crianças correm o risco de perder seu aprendizado, sistema de apoio, alimentação e segurança. Crianças mais marginalizadas, que têm maior probabilidade de desistir completamente, pagam o preço mais alto. 

A agência lembra que milhões de alunos permaneceram fora de suas salas de aula por mais de nove meses e teme que “muitas escolas estejam fechando desnecessariamente e não tenha sido dada ênfase suficiente para tomar as medidas necessárias para tornar as escolas seguras.” 

Um estudo recente usando dados de 191 países não mostrou associação entre o status escolar e as taxas de infecção por Covid-19 na comunidade. 

Menina estudando em casa, em Nairobi, devido a fechamento de escolas, Unicef/Brian Otieno

Com poucas evidências de que as escolas contribuem para taxas mais altas de transmissão, o Unicef está pedindo que os governos deem prioridade à reabertura dos colégios e tomem todas as medidas para torná-los seguros. 

Reabertura 

Os planos de reabertura devem incluir a expansão do acesso à educação, ensino a distância, especialmente para grupos marginalizados. Os sistemas de educação também devem ser adaptados e construídos para resistir a crises futuras. 

Em conjunto com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, o Programa Mundial de Alimentos, PMA, e o Banco Mundial, o Unicef publicou o Guia para a Reabertura de Escolas.  

O documento oferece conselhos práticos para as autoridades nacionais e locais. As diretrizes destacam reforma política, requisitos de financiamento, normas de segurança, aprendizagem compensatória, bem-estar e proteção.  

Para Robert Jenkins, o que se aprendeu sobre escolaridade durante o tempo da Covid-19 é claro. Ele afirma que “os benefícios de manter as escolas abertas superam em muito os custos de fechá-las e o fechamento de escolas em todo o país deve ser evitado a todo custo.” 

 

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