ONU: pandemia corta mais de 39 bilhões de merendas escolares gerando crise de nutrição
BR

29 janeiro 2021

Em comunicado conjunto, Unicef e Programa Mundial de Alimentos, PMA, informam que situação afeta 370 milhões de crianças, que deixaram de receber 40% das refeições no colégio; muitos alunos têm nas escolas sua única fonte de alimentação; agência pede que tema seja prioridade na reabertura das instituições de ensino.

Um relatório de duas agências da ONU revela que o fechamento das escolas por causa do novo coronavírus gerou uma grande crise nutricional pelo mundo.

Segundo o estudo “Covid-19, perdendo mais que as aulas”, numa tradução livre, mais de 370 mil crianças foram afetadas. Muitas delas dependem da merenda escolar para sobreviver. O relatório foi compilado com o apoio do Instituto Innocenti, do Unicef, e do Programa Mundial de Alimentos, PMA.

FAO/Ubirajara Machado
Desde o fechamento das escolas, em março passado, mais de 39 bilhões de merendas deixaram de ser distribuídas em todo o globo

Transmissão

Desde o fechamento das escolas, em março passado, mais de 39 bilhões de merendas deixaram de ser distribuídas em todo o globo. A chefe do Unicef, Henrietta Fore, disse que apesar das provas contundentes de que as escolas não são um centro de transmissão da Covid-19, milhões de crianças continuam fora das salas de aula. E para os alunos que só comem no colégio, o fechamento representa mais do que perder o ensino, as crianças deixam de receber a nutrição para crescerem.

Fore afirmou que à medida em que se espera a vacina e se discute a reabertura das instituições de ensino, é preciso priorizar a merenda escolar. Ela defende mais investimento na higienização com fornecimento de sabão e água limpa em cada escola ao redor do mundo.

Unicef/Panjwani
Menina na Índia estudando em casa devido a fechamento de escolas

Êxodo escolar

Um motivo de preocupação para o Unicef é o êxodo escolar. Com a pandemia, 24 milhões de alunos correm o risco de desistir da educação, o que causaria um retrocesso no aumento do número de matrículas, obtido nas últimas décadas.

O diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos, David Beasley, disse que a perda da merenda escolar prejudica o futuro de milhões de crianças pobres pelo mundo. E o risco é para uma geração inteira.

Durante a pandemia, houve uma redução de 39% na cobertura de serviços de merenda escolar incluindo programas de micronutrientes em países de rendas baixa e média. 

Além disso, os projetos de combate à má nutrição infantil também foram prejudicados. Como fechamento do ano passado, em alguns países, toda a merenda escolar foi suspensa.

Unicef/Frank Dejongh
A institucionalização do Dia Africano de Alimentação Escolar, em 2016, visa reforçar a vontade política para a valorização e compra dos produtos agrícolas locais

Adolescentes com anemia 

Antes da pandemia, em 68 nações, pelo menos a metade das crianças entre 13 e 17 anos indicavam sentir fome. 

Dados de 17 países indicam que dois terços dos adolescentes entre 15 e 19 anos estão abaixo do peso. E mais da metade das adolescentes no sul da Ásia sofrem com anemia.

Nas áreas mais afetadas pelo vírus ebola, em 2014, no oeste da África, a insegurança alimentar aumentou em países que já sofriam altos níveis de subnutrição. E esta mesma tendência ocorreu em muitas nações durante a crise da Covid-19 incluindo a África Subsaariana e o sul da Ásia.

As refeições escolares são vitais para garantir a nutrição, o crescimento e o desenvolvimento da criança além de ser um forte incentivo para os alunos, especialmente crianças nos países mais pobres e em comunidades mais marginalizadas. 

E no caso de meninas, estar fora da escola é um risco de ser vítima de casamentos forçados e de outros tipos de violência de gênero.
 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Unicef diz que crianças não podem suportar mais um ano fora da escola 

Em comunicado, chefe da agência da ONU, Henrietta Fore, afirma que já há provas de que os colégios não são transmissores da pandemia; segundo ela, outro ano letivo nessas condições terá consequências para as próximas gerações. 

Pobreza infantil em países ricos deverá seguir taxas pré-Covid por mais cinco anos 

Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef, alerta que, em Portugal, deverá haver agravamento no nível de vida da população infantil; agência pede reforço no sistema e mecanismos de proteção.