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Unicef diz que após um ano, chegou a hora de os estudantes retornarem às aulas  BR

Uma sala de aula modelo com carteiras vazias, mochilas azuis da Unicef e uma placa com os dizeres "AUSÊNCIA DE 168 MILHÕES DE CRIANÇAS" na sede das Nações Unidas em Nova York.
Unicef/Chris Farber/Unicef via Getty Images Instalação do Unicef, na sede da ONU em Nova Iorque, alerta para fechamento de escolas em todo o mundo

Unicef diz que após um ano, chegou a hora de os estudantes retornarem às aulas 

Cultura e educação

Fechamento ainda afeta 168 milhões de pessoas em 14 países; 66% dessas instituições de ensino estão na América Latina e no Caribe; em nova campanha na sede da ONU, agência mostra 168 cadeiras vazias, cada uma representando 1 milhão de estudantes. 

Escolas para mais de 168 milhões de crianças em todo o mundo estiveram completamente fechadas por quase um ano devido às medidas de combate à Covid-19. 

Os dados constam de um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. Cerca de 214 milhões de alunos em todo o mundo, ou um em cada sete, perderam mais de 75% da aprendizagem em aulas presenciais. 

Crise 

Segundo a pesquisa, 14 países em todo o mundo permaneceram fechados, em grande parte, desde março do ano passado. Dois terços estão na América Latina e no Caribe, afetando quase 98 milhões de crianças e jovens. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, está perto de uma instalação ao ar livre com carteiras escolares e mochilas da Unicef na sede da ONU em Nova York, abordando a crise educacional da COVID-19.
Foto ONU/Eskinder Debebe Na terça-feira, 2 de março, o secretário-geral, António Guterres, visitou a instalação do Unicef na sede da ONU

Desses 14 países, o Panamá manteve as escolas fechadas a maior parte dos dias, seguido por El Salvador, Bangladesh e Bolívia. 

Em comunicado, a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que “a cada dia que passa, as crianças sem acesso à escola presencial ficam cada vez mais para trás, com os mais marginalizados pagando o preço mais alto.” 

Para ela, os alunos não podem ter o segundo ano letivo assim. Fore afirma que “nenhum esforço deve ser poupado para manter as escolas abertas ou priorizar a reabertura.” 

Consequências 

O fechamento tem consequências arrasadoras para o aprendizado e o bem-estar das crianças. 

As mais vulneráveis ​​e as que não têm acesso ao ensino a distância correm um risco maior de nunca mais voltar à sala de aula e até de serem forçadas ao casamento infantil ou ao trabalho infantil. 

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, mais de 888 milhões de crianças em todo o mundo continuam enfrentando interrupções, totais ou parciais, em sua educação.  

A maioria das crianças confia nas escolas como um lugar onde podem interagir com seus colegas, buscar apoio, ter acesso a serviços de saúde e imunização e uma refeição nutritiva.  

Segundo o Unicef, “quanto mais as escolas permanecem fechadas, mais as crianças ficam isoladas desses elementos críticos da infância.” 

Alunos usando máscaras exibem panfletos educativos sobre saúde em uma sala de aula na China.
© Unicef/Wang Jing Alunos seguram folhetos com informações de saúde sobre Covid-19 em sala de aula na província de Qinghai, China.

Iniciativa 

Para chamar a atenção, o Unicef lança esta quarta-feira a “Pandemia na Sala de Aula”, uma campanha nos jardins da sede da ONU, em Nova Iorque. 

A ideia é recriar uma sala vazia com 168 carteiras, cada uma representando um milhão crianças, sem aulas presenciais, onde as escolas permanecem fechadas.  

Henrietta Fore diz que “a instalação é uma mensagem aos governos, que devem priorizar a reabertura das escolas e melhores do que antes.” 

Regresso 

Os alunos precisarão de apoio para se reajustar e atualizar seus conhecimentos ao retornar ao colégio. Os planos de reabertura devem ajudar a recuperar os momentos de educação perdidos.  

O Unicef pede aos governos para priorizarem as necessidades únicas de cada aluno, com serviços de aprendizagem, saúde e nutrição, bem como medidas de proteção para fomentar o desenvolvimento e o bem-estar das crianças. 

O Quadro do Unicef para a Reabertura de Escolas, emitido em conjunto com a Unesco e outras agências da ONU, oferece conselhos práticos para as autoridades nacionais e locais.