Unicef diz que após um ano, chegou a hora de os estudantes retornarem às aulas 
BR

3 março 2021

Fechamento ainda afeta 168 milhões de pessoas em 14 países; 66% dessas instituições de ensino estão na América Latina e no Caribe; em nova campanha na sede da ONU, agência mostra 168 cadeiras vazias, cada uma representando 1 milhão de estudantes. 

Escolas para mais de 168 milhões de crianças em todo o mundo estiveram completamente fechadas por quase um ano devido às medidas de combate à Covid-19. 

Os dados constam de um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. Cerca de 214 milhões de alunos em todo o mundo, ou um em cada sete, perderam mais de 75% da aprendizagem em aulas presenciais. 

Crise 

Segundo a pesquisa, 14 países em todo o mundo permaneceram fechados, em grande parte, desde março do ano passado. Dois terços estão na América Latina e no Caribe, afetando quase 98 milhões de crianças e jovens. 

Na terça-feira, 2 de março, o secretário-geral, António Guterres, visitou a instalação do Unicef na sede da ONU
Foto ONU: Eskinder Debebe
Na terça-feira, 2 de março, o secretário-geral, António Guterres, visitou a instalação do Unicef na sede da ONU

Desses 14 países, o Panamá manteve as escolas fechadas a maior parte dos dias, seguido por El Salvador, Bangladesh e Bolívia. 

Em comunicado, a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que “a cada dia que passa, as crianças sem acesso à escola presencial ficam cada vez mais para trás, com os mais marginalizados pagando o preço mais alto.” 

Para ela, os alunos não podem ter o segundo ano letivo assim. Fore afirma que “nenhum esforço deve ser poupado para manter as escolas abertas ou priorizar a reabertura.” 

Consequências 

O fechamento tem consequências arrasadoras para o aprendizado e o bem-estar das crianças. 

As mais vulneráveis ​​e as que não têm acesso ao ensino a distância correm um risco maior de nunca mais voltar à sala de aula e até de serem forçadas ao casamento infantil ou ao trabalho infantil. 

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, mais de 888 milhões de crianças em todo o mundo continuam enfrentando interrupções, totais ou parciais, em sua educação.  

A maioria das crianças confia nas escolas como um lugar onde podem interagir com seus colegas, buscar apoio, ter acesso a serviços de saúde e imunização e uma refeição nutritiva.  

Segundo o Unicef, “quanto mais as escolas permanecem fechadas, mais as crianças ficam isoladas desses elementos críticos da infância.” 

Alunos seguram folhetos com informações de saúde sobre Covid-19 em sala de aula na província de Qinghai, China.
© Unicef/Wang Jing
Alunos seguram folhetos com informações de saúde sobre Covid-19 em sala de aula na província de Qinghai, China.

Iniciativa 

Para chamar a atenção, o Unicef lança esta quarta-feira a “Pandemia na Sala de Aula”, uma campanha nos jardins da sede da ONU, em Nova Iorque. 

A ideia é recriar uma sala vazia com 168 carteiras, cada uma representando um milhão crianças, sem aulas presenciais, onde as escolas permanecem fechadas.  

Henrietta Fore diz que “a instalação é uma mensagem aos governos, que devem priorizar a reabertura das escolas e melhores do que antes.” 

Regresso 

Os alunos precisarão de apoio para se reajustar e atualizar seus conhecimentos ao retornar ao colégio. Os planos de reabertura devem ajudar a recuperar os momentos de educação perdidos.  

O Unicef pede aos governos para priorizarem as necessidades únicas de cada aluno, com serviços de aprendizagem, saúde e nutrição, bem como medidas de proteção para fomentar o desenvolvimento e o bem-estar das crianças. 

O Quadro do Unicef para a Reabertura de Escolas, emitido em conjunto com a Unesco e outras agências da ONU, oferece conselhos práticos para as autoridades nacionais e locais. 

 

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