OMS: República Democrática do Congo está livre do 11º surto de ebola 
BR

18 novembro 2020

Mais de 55 pessoas morreram desde o reinício dos casos em junho; combate ao surto enfrentou várias dificuldades, como acesso remoto e resistência das comunidades; OMS afirma que tecnologia usada para manter vacina em temperaturas muito frias será útil para vacina de Covid-19. 

A República Democrática do Congo, RDC, declarou nesta quarta-feira o fim do 11º surto de ebola no país. O anúncio ocorre quase seis meses após a notificação dos primeiros casos na província de Equatória. 

Desde 1º de junho, foram confirmados 119 casos e 55 mortes. Cerca de 75 pessoas se recuperaram. 

Vacinação em Mbandaka durante o último surto de ebola, OMS/Lindsay Mackenzie

Combate 

Em comunicado, a Organização Mundial da Saúde, OMS, lembrou todos os envolvidos no combate à doença, os que rastrearam os casos, trataram os pacientes, envolveram as comunidades e vacinaram mais de 40 mil pessoas em alto risco.  

O surto ocorreu em comunidades espalhadas por densas florestas tropicais e áreas urbanas lotadas, criando desafios logísticos. A OMS diz que as dificuldades foram superadas devido à liderança do governo e das comunidades locais. 

As equipes de vacinação usaram um armazenamento de cadeia de frio inovador para manter a vacina do ebola em temperaturas de até -80 graus Celsius. Os freezers podem manter as vacinas em temperaturas muito baixas por até uma semana, fora do aparelho, o que ajuda em áreas sem eletricidade.  

Ciência e solidariedade 

Em comunicado, a diretora regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, disse que “superar um dos patógenos mais perigosos do mundo em comunidades remotas e de difícil acesso demonstra o que é possível quando a ciência e a solidariedade se unem.” 

Para ela, “a tecnologia usada para manter a vacina do ebola em temperaturas muito frias será útil ao trazer uma vacina de Covid-19 para a África.” 

Funcionários de saúde em centro de tratamento do ebola na RD Congo, Foto ONU/Martine Perret

Moeti disse que lidar com o ebola em paralelo com a Covid-19 não foi fácil, mas a experiência pode ser transferida para outra crise de saúde. A médica afirma que o surto “destaca a importância de investir na preparação para emergências e na construção de capacidade local.” 

Dificuldades 

A crise de saúde ocorreu quando outro surto estava diminuindo na parte oriental do país, que acabou terminando em 25 de junho de 2020.  

Além disso, a pandemia de Covid-19 esgotou recursos e criou dificuldades em torno da movimentação de especialistas e suprimentos. Também havia desafios em torno do grande número de casos em comunidades remotas, que muitas vezes eram acessíveis apenas por barco ou helicóptero e, às vezes, resistência das comunidades. 

Os esforços de vacinação começaram quatro dias após a declaração do surto. Cerca de 90% dos vacinadores eram de comunidades locais. A resposta também aproveitou a experiência de profissionais de saúde locais treinados durante dois surtos recentes. 

Linha de frente 

Os pesquisadores atuaram em estreita colaboração com os membros da comunidade para aumentar a compreensão do vírus, visitando mais de 574 mil famílias e informando mais de 3 milhões de pessoas. 

Filho visita mãe em centro de tratamento para ebola, Unicef/Thomas Nybo

No auge do surto, havia mais de 100 especialistas da OMS no local, apoiando a resposta do governo. 

Embora o surto tenha terminado, a OMS realça a necessidade de vigilância contínua e forte, porque podem surgir novos casos nos próximos meses. A OMS e outros parceiros estão melhorando as capacidades operacionais na província, incluindo o treinamento de trabalhadores da linha de frente. 

Crianças 

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, duas crianças morreram e 11 foram infectadas durante o surto. 

Em comunicado, o representante do Unicef no país, Edouard Beigbeder, disse que “embora o ebola tenha sido superado, as crianças afetadas ainda precisarão de atenção e cuidados especiais, à medida que as comunidades começam a voltar à vida normal.” 

Durante a crise de saúde, o Unicef forneceu cuidados e apoio psicossocial a centenas de crianças cujos pais ou responsáveis ​​adoeceram ou morreram devido ao ebola. Esse apoio é fundamental para crianças que são especialmente vulneráveis ​​ao isolamento, estigma, desnutrição ou pobreza. 

A agência também atuou com parceiros locais e governamentais para melhorar as instalações de água e saneamento nos centros de tratamento, fornecer apoio psicossocial e fortalecer o conhecimento sobre a doença e as práticas de prevenção nas comunidades.  

 

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