Unicef quer ação urgente para minimizar impacto do ébola sobre crianças

25 julho 2020

Mobilização de recursos financeiros é necessária para enfrentar 11º surto da febre hemorrágica no oeste da RD Congo; Unicef e parceiros fornecem apoio nutricional e psicológico a crianças separadas dos pais por força da doença.
 
 

Pelo menos 32 crianças morreram ou foram separadas dos pais, devido a um novo surto de ébola na República Democrática do Congo. O retorno da doença foi declarado a 1 de junho na Província do Equatória, oeste da RD Congo. A informação é do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Uma profissional de saúde no combate ao ebola alimenta um bebê em um centro de tratamento em Kivu do Norte, República Democrática do Congo.
Uma profissional de saúde no combate ao ebola alimenta um bebê em um centro de tratamento em Kivu do Norte, República Democrática do Congo. Foto: PMA/Jacques David

Bem-estar 

Trata-se do 11º surto do ébola a atingir o país da África Central desde 1976 e, até ao momento, já infetou 62 pessoas e matou 27 incluindo duas crianças. O Unicef pede uma resposta robusta e urgente.  

A agência insta os parceiros nacionais e doadores internacionais a apoiarem a luta contra o ébola na região e os esforços para assistência especializada às crianças vulneráveis, sublinhando que os recursos não estão alinhados com o passo da epidemia.

O Representante do Unicef na RD Congo, Edouard Beigbeder, disse que o ébola afeta crianças de várias maneiras, além do risco imediato da infeção e morte, tendo realçado a necessidade de minimizar o impacto da doença no bem-estar das crianças.

Funcionários de saúde em centro de tratamento do ebola em Katwa, na RD Congo
Foto ONU/Martine Perret
Funcionários de saúde em centro de tratamento do ebola em Katwa, na RD Congo

Financiamento

As atividades de resposta ao surto do ébola na Equatória são estimadas em mais de US$ 6,9 milhões. O Unicef já avançou com US$ 2 milhões de fundos próprios para fazer face às necessidades básicas enquanto se espera pela mobilização de recursos adicionais.

Acredita-se que o número limitado de organizações no terreno, a fatiga dos doadores com o ébola na RD Congo, e a pressão adicional que a crescente epidemia da Covid-19 vem colocando sobre o debilitado sistema de saúde do país, estejam a dificultar mais ação.

Dados do Unicef mostram que mais de 20 crianças, entre 2 e 17 anos, passaram por um dos quatro centros de tratamento do ébola, com infeção ou suspeitas de infeção. Ainda na Província de Equatória, o Unicef forneceu cuidados comunitários a 10 crianças menores de dois anos, separadas dos pais.

Vacinação em Mbandaka, na República Democrática do Congo, durante o último surto de ebola.
OMS/Lindsay Mackenzie
Vacinação em Mbandaka, na República Democrática do Congo, durante o último surto de ebola.

Cuidados especiais 

“Quer estejam infetadas, ou vejam os pais ou outros membros da família infetados, as crianças necessitam de cuidado especializado e apoio, tanto físico, como psicológico, explicou Edouard Beigbeder. 

Há registo de 10 crianças assistidas em instalações de proteção temporária enquanto um ou ambos os pais são submetidos a diagnóstico ou tratamento em um dos quatro centros na província. 

Elas são monitoradas de perto em áreas dedicadas do Centro, onde o Unicef e parceiros fornecem apoio nutricional e psicológico. 

A agência da ONU projeta construir infantários nas proximidades dos centros de tratamento para garantir um cuidado adequado às crianças que foram separadas dos pais.

Em 2018, um surto na mesma província foi controlado dentro de apenas dois meses, graças à velocidade e à escala da resposta e o apoio dos doadores.
 

*Amatijane Candé para a ONU News.

 

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